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Fonte: O GLOBO
Interlocuções sob suspeita
Mensagens extraídas de aparelhos celulares pela Polícia Federal revelam um histórico de contatos diretos entre Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central. Os diálogos e registros de acesso indicam uma relação de proximidade que levanta questionamentos sobre a fiscalização da instituição financeira durante a gestão do antigo mandatário da autoridade monetária. Entre os registros, destaca-se um encontro em dezembro de 2023, realizado na sede do BC em São Paulo, com duração superior a uma hora.
Contatos frequentes no Banco Central
O ICL Notícias apurou, via Lei de Acesso à Informação, que Vorcaro esteve nas dependências do BC por diversas vezes. Em 22 de dezembro de 2023, o banqueiro permaneceu no prédio por mais de 63 minutos. Inicialmente, o encontro ocorreria na residência privada de Campos Neto, no interior de São Paulo, mas foi remanejado devido a uma dedetização no imóvel. A recorrência de visitas e o teor das comunicações, que incluem felicitações mútuas por premiações internacionais, ocorrem num período em que o Master já era alvo de alertas técnicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Tenho que frear esse Joesley senão vai entrar numa guerra, disse Vorcaro a advogado.
Paralelamente aos contatos com o BC, conversas revelam que Vorcaro articulava estratégias para conter o empresário Joesley Batista, da J&F. Em maio de 2025, o dono do Banco Master trocou mensagens com o advogado Walfrido Warde, expressando o temor de que uma eventual disputa escalasse para um conflito sem precedentes. Enquanto a J&F nega interesse em ativos do Master, o cenário de tensões e lobbies em Brasília coloca o setor financeiro sob holofotes.
Desdobramentos e investigações
- A Polícia Federal investiga possíveis vazamentos de informações sensíveis dentro do BC.
- O diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, prestou depoimento sobre inconsistências operacionais.
- Relatos de uma suposta fraude de R$ 32 bilhões, identificada em auditoria do BTG, seguem sob verificação.
A dúvida central que permanece é como a autoridade monetária avaliou os riscos do Banco Master enquanto mantinha interlocução constante com seu controlador. O escândalo, que envolve prejuízos bilionários, pressiona por respostas sobre o grau de proximidade entre regulador e regulado, exigindo um esclarecimento profundo sobre a integridade do sistema financeiro nacional.
📰 Conteúdo baseado em fontes verificadas
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