
Fonte: Folha de S.Paulo
O relato de uma crise institucional
O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), brigadeiro Carlos Baptista Junior, expôs os bastidores das pressões golpistas ocorridas durante a transição de governo em 2022. Em seu novo livro, 'Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista', o oficial relata que houve um risco iminente de ruptura democrática, motivado pelas tentativas de Jair Bolsonaro em convencer a cúpula das Forças Armadas a reverter o resultado das eleições. O militar afirma que a postura das Forças foi determinante para conter uma aventura que poderia levar o país a um cenário de descontrole social.
A resistência pela via legal
Baptista Junior detalha que o período entre outubro e dezembro de 2022 foi marcado por uma sucessão exaustiva de reuniões no Ministério da Defesa, onde buscava-se, segundo ele, 'ganhar tempo' para evitar um confronto direto. O brigadeiro destaca que a unidade dos comandantes, alinhada à postura do então comandante do Exército, general Marco Antonio Freire Gomes, foi fundamental. Um telefonema de 45 minutos com o general Sérgio Etchegoyen serviu como confirmação crucial de que a cúpula do Exército permaneceria fiel à legalidade institucional.
Se o senhor fizer isso, vou ter que lhe prender.
Essa declaração, feita pelo general Freire Gomes a Bolsonaro, marcou um dos momentos de maior tensão no Palácio da Alvorada, evidenciando a recusa da cúpula militar em aderir à subversão da ordem vigente.
Impactos e reflexões futuras
O ex-comandante aponta que o populismo, tanto de Bolsonaro quanto de Lula, alimenta construções políticas que ignoram o Estado de Direito. Para ele, as Forças Armadas perderam confiabilidade perante parte da sociedade devido ao envolvimento de militares no governo anterior. O brigadeiro enfatiza que o cumprimento da lei não deve ser visto como um ato heroico, mas como um dever básico. Questionado sobre a possibilidade de novos episódios, Baptista Junior avalia que, embora o risco seja menor, a vigilância democrática permanece essencial para a estabilidade do país. A obra surge como um documento histórico sobre a resistência institucional brasileira frente ao autoritarismo.
📰 Conteúdo baseado em fontes verificadas
📚 Leia também
- TRT-12 anula autuação que resgatou mulher em trabalho escravo
- Laura Cardoso, ícone da dramaturgia brasileira, morre aos 98 anos
- Julgamento de Duane Davis pelo assassinato de Tupac Shakur inicia
- Candidatos intensificam agendas de campanha em diferentes regiões
- Colômbia enfrenta crise humanitária e política após terremoto de 7,4