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Fonte: Valor Econômico
Cenário desafiador para o Banco do Brasil
O Citi manteve a recomendação neutra para as ações do Banco do Brasil (BBAS3), mas decidiu incluir o papel em “observação de catalisador negativo”. A instituição financeira rebaixou o preço-alvo de R$ 21 para R$ 18, refletindo uma avaliação de que a relação risco-retorno do banco público se tornou menos atrativa diante dos atuais indicadores operacionais.
Em nossa visão, a tese de investimento depende cada vez mais de premissas difíceis de conciliar com as tendências operacionais recentes, particularmente a contínua deterioração da qualidade dos ativos.
A decisão acompanha um período de cautela no setor bancário. O Citi revisou para baixo suas estimativas de lucro líquido para o Banco do Brasil, prevendo agora R$ 16,627 bilhões para 2026 e R$ 21,111 bilhões para 2027. Essas projeções situam-se abaixo do guidance oficial da companhia, que estima um lucro entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões para o presente ano.
Impacto da inadimplência e qualidade dos ativos
O reconhecimento de erros operacionais, especificamente em uma modalidade de parcelamento automático de cartões de crédito, pressionou os resultados no segundo trimestre de 2026. A inadimplência acima de 90 dias no segmento de pessoas físicas subiu de 7,12% para 14,58% entre março e junho. A administração do Banco do Brasil confirmou a interrupção da linha de crédito responsável pelo salto nos indicadores de risco.
Desafios na estrutura de capital
- A inadimplência total da carteira atingiu 5,61% em junho.
- O capital principal (CET1) nominal apresenta trajetória de queda.
- O custo do crédito alcançou R$ 18,48 bilhões no 2° trimestre.
Além da pressão sobre os ativos, o Índice de Basileia encerrou o trimestre em 13,91%, recuando frente aos 14,23% registrados em março. Analistas do mercado, incluindo os do Itaú BBA e Safra, reiteram a preocupação com o amadurecimento de créditos concedidos nos últimos períodos. Como o banco conseguirá conciliar o crescimento de carteira com a estabilização do risco sem comprometer sua rentabilidade futura?
A gestão da companhia defende que a capacidade de geração de receitas, evidenciada pela margem financeira bruta, atua como um contraponto necessário. O fechamento do ano será determinante para verificar se as medidas de contenção de crédito serão suficientes para alinhar os resultados às expectativas do mercado e evitar novos ajustes negativos.
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