A Polícia Federal (PF) está investigando o Banco Master e seu ex-banqueiro, Daniel Vorcaro, por suspeitas de negociação para contratar influenciadores digitais para promover o banco e atacar o Banco Central (BC). As investigações revelam diálogos extraídos do celular de Vorcaro, indicando uma possível estratégia para influenciar a opinião pública em meio a questionamentos sobre a solidez da instituição financeira.

Fonte: Estadão
Agência Spark e a Proposta Recusada
A agência Spark, especializada em marketing de influência, confirmou ter recebido uma solicitação para orçar uma campanha para o Banco Master no final de 2024. O objetivo seria promover produtos de investimento do banco, endossando sua solidez. No entanto, a agência decidiu não prosseguir com a proposta por considerá-la “eticamente incompatível” com seus critérios internos. A Spark alega que nenhum contrato foi firmado com influenciadores.
Detalhes da Negociação
Os diálogos extraídos do celular de Vorcaro revelam detalhes da proposta, incluindo a criação de “Reels + combo de stories + direito de repost” no Instagram. A campanha visava o segmento de instituições bancárias e investimentos. Um dos influenciadores cotados para a ação era Renoir Vieira, conhecido por suas publicações sobre o mercado financeiro.
Pronunciamento de Renoir Vieira
Renoir Vieira confirmou ter recebido a proposta da agência Spark em outubro de 2024, mas negou ter aceitado a oferta ou realizado qualquer publicação patrocinada para o Banco Master ou outras instituições financeiras. Ele afirma que uma publicação sobre a possível compra do Master pelo BRB em abril de 2025 refletia sua opinião pessoal sobre o cenário financeiro.
Investigação em Andamento
A PF investiga se Vorcaro e seus aliados contrataram influenciadores para atacar autoridades do Banco Central após sua prisão em março e criar um ambiente favorável à anulação da liquidação do Banco Master. A agência Mithi, do empresário Thiago Miranda, também está sendo investigada por possível envolvimento em campanhas semelhantes.
O Papel de Léo Dias
O jornalista Léo Dias, especializado na cobertura de celebridades, recebeu R$ 9,9 milhões do Banco Master, o que também está sob investigação. A PF busca determinar se esse pagamento está relacionado à estratégia de influenciar a opinião pública.
Implicações e Desdobramentos
O caso levanta questões sobre a ética no uso de influenciadores digitais em temas financeiros e a necessidade de regulamentação da publicidade financeira nas redes sociais. As investigações da PF podem levar a novas descobertas e desdobramentos, com implicações para o sistema financeiro e o debate público sobre a atuação das instituições financeiras.
Inquérito e Prisão
Daniel Vorcaro está preso desde 4 de março e negocia um acordo de delação premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR). A investigação busca esclarecer se houve uma tentativa estruturada de usar influenciadores para manipular a opinião pública em benefício do Banco Master, que enfrentava problemas de liquidez e questionamentos sobre sua solidez. A apuração em andamento poderá revelar novas frentes e aprofundar o debate sobre o uso de influência digital no mercado financeiro.