O empresário Joesley Batista, controlador da J&F, está investindo no setor bélico ao financiar a Avibrás, empresa em recuperação judicial que fornece mísseis para o Exército Brasileiro. Um contrato de funding coordenado pelo Fundo Brasil Crédito, no valor de R$ 300 milhões, foi assinado com investidores privados para reestruturar a companhia. A Avibrás, considerada estratégica para a defesa nacional, busca se reerguer e manter sua produção, impulsionada pela crescente importância geopolítica e pelo interesse das Forças Armadas em garantir sua soberania.

Fonte: Estadão
Por que Joesley Batista está investindo na Avibrás?
O investimento de Joesley Batista surge em um momento crucial para a Avibrás, que está em recuperação judicial desde 2022, com dívidas de R$ 394 milhões. A empresa, que já enfrentou dificuldades financeiras e uma longa greve de seus funcionários, busca se reestruturar e retomar a produção. A entrada de capital privado, coordenada pelo Fundo Brasil Crédito, é vista como uma solução para impulsionar a recuperação da empresa e garantir a continuidade de seus projetos estratégicos.
O que a Avibrás produz?
A Avibrás é responsável pelo desenvolvimento e produção de sistemas de defesa, incluindo o sistema de foguetes balísticos Astros, considerado a joia da coroa da artilharia do Exército Brasileiro. Seus produtos são vendidos para diversos países, como Indonésia e Malásia, e despertam interesse no mercado internacional. Além disso, a empresa está envolvida no desenvolvimento do Míssil Tático de Cruzeiro (MTC-300) e do Míssil Tático Balístico S+100, projetos considerados de grande potencial para o mercado exterior.
Qual a importância da Avibrás para o Brasil?
Considerada uma empresa estratégica para a defesa do país, a Avibrás desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de tecnologias militares e na garantia da soberania nacional. O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, se empenhou em encontrar uma solução para garantir a sobrevivência da empresa, especialmente diante do cenário geopolítico global. A Avibrás também evita que a empresa seja adquirida por empresas estrangeiras, como a chinesa Norinco, a australiana DefendTex e a saudita Black Storm Military Industries que já demonstraram interesse.
Como será a reestruturação da Avibrás?
O plano de reestruturação financeira da Avibrás envolve a captação de recursos privados, como os R$ 300 milhões investidos por Joesley Batista e outros investidores, e a obtenção de financiamentos públicos. A empresa pretende retomar a produção em maio, aumentando gradualmente o número de funcionários. A expectativa é que a Avibrás conte com 500 funcionários em junho e mais de 1.000 com novas encomendas e parcerias. A empresa já reativou seus setores de compras e RH, e busca fortalecer suas parcerias com o Exército e a Força Aérea Brasileira.
Quais os próximos passos?
A Avibrás deve dar continuidade à parceria com o Escritório de Projetos do Exército (EPEx) para concluir o desenvolvimento do Míssil Tático de Cruzeiro (MTC-300). Além disso, a empresa está desenvolvendo o Míssil Tático Balístico S+100, que deverá ter interoperabilidade com outros sistemas da Avibrás. As negociações estão sendo feitas pelo Comando de Logística (Colog) e pelo Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) do Exército, com o objetivo de usar os recursos para investimentos na Defesa garantidos pela Lei Complementar 221.
Qual o contexto da recuperação judicial da Avibrás?
A Avibrás entrou em recuperação judicial em março de 2022, alegando perda de competitividade no mercado internacional. O processo de recuperação judicial envolve a suspensão e renegociação do pagamento de dívidas, com o acompanhamento de um administrador judicial. Recentemente, uma greve de funcionários foi encerrada com um acordo na Justiça, que prevê o pagamento de dívidas trabalhistas. A entrada de Joesley Batista como financiador da empresa foi crucial para o cumprimento das condições exigidas para efetivar o negócio, como a negociação das dívidas trabalhistas.
Qual o impacto da participação de Joesley Batista?
A participação de Joesley Batista no financiamento da Avibrás ocorre em meio a uma disputa judicial travada pela J&F para reduzir a multa de seu acordo de leniência com o Ministério Público Federal. A decisão de investir na indústria bélica pode ter diversas implicações, tanto para a Avibrás quanto para o próprio empresário. Resta saber quais serão os próximos capítulos dessa história e como ela irá impactar o futuro da empresa e do setor de defesa brasileiro.