Vale (VALE3): Prejuízo Bilionário Surpreende, Mas Anima o Mercado. Entenda!

A Vale (VALE3) reportou um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, um valor significativamente maior do que o prejuízo de US$ 694 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. Apesar desse resultado negativo, o mercado financeiro reagiu de forma surpreendentemente positiva. Mas, por que o prejuízo bilionário da Vale não assustou os investidores? A resposta reside nos dados de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) acima do esperado e no sólido desempenho das vendas de minério de ferro e cobre. As ações da Vale, no entanto, abriram em baixa, refletindo a realização de lucros e a queda do preço do minério devido a preocupações com a demanda chinesa.

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Fonte: InfoMoney

O Impacto das Baixas Contábeis no Resultado da Vale

Grande parte do prejuízo da Vale foi atribuída a baixas contábeis, incluindo “impairments” de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals no Canadá, devido a uma revisão das premissas de preço de longo prazo para o níquel. Além disso, houve uma baixa de US$ 2,8 bilhões em imposto diferido de subsidiárias. Excluindo esses itens não recorrentes, o lucro líquido proforma da Vale somou US$ 1,5 bilhão no quarto trimestre, um aumento de 68% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este aumento foi impulsionado pelo crescimento do Ebitda proforma e pelo impacto positivo da avaliação a mercado dos swaps cambiais. No entanto, este resultado foi parcialmente compensado por provisões adicionais relacionadas à Samarco.

Desempenho Operacional Sólido e Eficiência em Custos

Apesar do prejuízo líquido, o Ebitda ajustado da Vale foi beneficiado por maiores volumes de vendas e preços de cobre e minério de ferro, além de receitas de subprodutos e melhorias operacionais. O Ebitda atingiu US$ 4,6 bilhões no quarto trimestre, em comparação com US$ 3,8 bilhões no mesmo período de 2024. Analistas da XP destacaram o desempenho sólido de custos da Vale, incluindo ganhos contínuos de eficiência na Iron Ore Solutions, com o custo C1 (produção cobrindo as despesas da mina, ferrovia e porto, mas excluindo compras de terceiros) em US$ 21,3/tonelada (t), em linha com o guidance da empresa para 2025. Houve também uma redução nos custos em Metais Básicos, impulsionada por receitas mais fortes de subprodutos na divisão de Cobre e uma diminuição de 35% nos custos do níquel.

Redução da Dívida Líquida e Geração de Caixa

A dívida líquida expandida da Vale caiu para US$ 15,6 bilhões, impulsionada por fortes ajustes na geração de caixa e nas provisões de caixa, com o FCF (fluxo de caixa livre) em US$ 1,7 bilhão. O JPMorgan destacou que o principal resultado positivo veio dos metais básicos, devido aos créditos excepcionalmente altos de subprodutos para os negócios de cobre e níquel. O minério de ferro também superou ligeiramente as expectativas.

Otimismo dos Analistas e Perspectivas Futuras

Após a divulgação do balanço, a maioria dos analistas manteve uma visão otimista em relação à Vale. A XP reiterou recomendação neutra com base no valuation, mas reconheceu um momentum positivo para as ações. O Goldman Sachs reiterou recomendação de compra para os ADRs (recibo de ações negociado nos EUA), com preço-alvo de US$ 18, e vê espaço para uma nova reavaliação. O banco americano destaca que a tese da Vale ainda é vista como construtiva, sustentada por uma visão menos pessimista para o minério de ferro, a percepção de que a Vale representa uma alternativa atraente às grandes empresas de cobre e o bom momento operacional da empresa. O Bradesco BBI também reforçou recomendação de compra para VALE3, que está sendo negociada com um atraente rendimento ao FCF de 8% estimado para 2026. O Goldman Sachs ainda aponta que a história de crescimento do cobre da Vale, com o objetivo de dobrar a produção até 2035, tem atraído atenção, colocando a tese de investimento da empresa no segmento temático de metais industriais.

Impacto no Lucro Anual e Reação do Mercado

Apesar dos bons resultados operacionais, a Vale fechou 2025 com uma queda de 56% no lucro anual, para R$ 13,8 bilhões, refletindo os fatores contábeis não-recorrentes mencionados. O resultado do quarto trimestre foi impactado pelo prejuízo, que superou as perdas registradas no ano anterior. Mesmo com a retomada da posição de maior produtora mundial de minério de ferro e a superação das metas de produção, as baixas contábeis e provisões derrubaram o lucro final. A questão que fica é: como a Vale pretende manter o otimismo do mercado diante das oscilações no preço do minério e das incertezas no cenário global?

Em resumo, o mercado financeiro demonstra confiança na capacidade da Vale de gerar valor a longo prazo, impulsionada por sua eficiência operacional e potencial de crescimento no setor de metais básicos. Apesar do prejuízo no 4º trimestre, o Ebitda e o desempenho de vendas animaram os investidores.

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