Oceano Pacífico registra aquecimento recorde e El Niño preocupa OMS

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Fonte: G1

Recorde de aquecimento no Pacífico

As temperaturas diárias do Oceano Pacífico Equatorial atingiram níveis sem precedentes, sinalizando que o El Niño de 2026 pode se tornar o mais intenso já registrado. Monitoramento realizado pelo Climate Reanalyzer aponta que as anomalias na faixa Niño 3.4 superaram a marca de +3,04°C em 20 de setembro. Esse valor diário é superior ao observado no pico do fenômeno em 2015, um dos episódios mais severos da história climática.

Não existem Super El Niño, Mega El Niño, Godzilla El Niño. A classificação da NOAA vai de fraco, moderado, forte e muito forte, e, até o momento, podemos considerar muito forte.

Apesar dos picos diários, especialistas do Cemaden reforçam que a média mensal é o parâmetro técnico para definir a intensidade. O fenômeno deve atingir seu ápice entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. O padrão atual indica uma intensificação do El Niño, com 75% de chance de ser o mais forte desde 1950, mantendo águas aquecidas sem sinais de resfriamento antes de março de 2027.

Ameaça à saúde pública mundial

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o fenômeno como uma "grande ameaça" à saúde global. O impacto vai além do calor extremo, abrangendo riscos indiretos como a má qualidade do ar por incêndios florestais e surtos de doenças como cólera, dengue, malária e chikungunya, exacerbados por inundações e secas. A entidade recomenda que governos reforcem a vigilância epidemiológica e estoques médicos.

Vulnerabilidades no território brasileiro

Estudos integrados por inteligência artificial mapearam os riscos regionais. Enquanto o Sul enfrenta maior probabilidade de cheias, o Sudeste e o Centro-Oeste lidam com seca acumulada e focos de incêndio. Em Minas Gerais, a atenção se volta para o risco de alagamentos em grandes cidades como Belo Horizonte, Contagem e Betim, onde a infraestrutura urbana é testada por temporais concentrados.

Como o planeta já apresenta temperaturas elevadas devido ao aquecimento global, o El Niño atua como um "golpe duplo" no sistema climático. O impacto no campo é direto: a irregularidade das chuvas compromete safras de feijão, soja e milho. A instabilidade atmosférica deve persistir até o próximo ano, exigindo atenção constante de autoridades e da população diante de uma transição sazonal que combina estresse hídrico e extremos climáticos.

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