Estudante de Londrina alertou sobre visitas de suspeito antes de crime

Investigação aponta planejamento detalhado

A Polícia Civil do Paraná concluiu nesta segunda-feira (21) o inquérito sobre o assassinato de Thaissa Gabriely de Oliveira Marques, de 21 anos. A estudante de nutrição foi vítima de uma tentativa de estupro e morta a facadas no dia 11 de setembro, dentro de uma academia em Londrina, onde trabalhava. O suspeito do crime, Gabriel de Andrade, também de 21 anos, foi indiciado por feminicídio e tentativa de estupro, com agravantes por meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

As investigações confirmaram que o crime foi premeditado. De acordo com as autoridades, o agressor visitou o estabelecimento pelo menos três dias antes do ocorrido, utilizando a justificativa de conhecer o local ou buscar uma vaga de emprego para se aproximar da jovem. A polícia apurou que facas e cordas foram levadas pelo próprio suspeito, já que tais itens não pertenciam ao estabelecimento comercial.

Relatos de desconforto em áudios

Três dias antes de ser morta, Thaissa enviou áudios a um amigo expressando incômodo com a insistência do suspeito, a quem ela se referia como um "menino". Nas mensagens, a estudante detalhou que o homem havia visitado o local diversas vezes. Em um dos registros, ela descreveu um momento específico de apreensão ao mostrar as dependências do prédio, incluindo a área dos banheiros, onde a falta de câmeras de monitoramento gerou desconfiança imediata.

Ele já veio aqui umas cinco vezes. Ele já veio mandar currículo, já enviou o currículo 300 mil vezes. Aí, agora ele veio ver a academia, sendo que ele já veio aqui antes, relatou a jovem em um dos áudios.

Desdobramentos do inquérito

  • O laudo pericial constatou que a vítima foi atingida por 46 facadas.
  • O suspeito foi preso em flagrante após tentar simular ter sido vítima de um assalto em um local próximo.
  • O Ministério Público do Paraná formalizou a denúncia contra Gabriel de Andrade pelos crimes de feminicídio e tentativa de estupro.

Após o crime, o suspeito chegou a buscar socorro alegando ter sido roubado, mas, ao ser confrontado pela polícia após a descoberta do corpo de Thaissa, acabou confessando o assassinato. Você sabia que o comportamento preventivo da vítima ao relatar o incômodo aos amigos tornou-se uma peça-chave para o desfecho da investigação? Atualmente, a defesa do acusado alega que o caso deve ser analisado considerando aspectos da condição neurodesenvolvimental do réu, enquanto a família da vítima busca o reconhecimento de qualificadoras adicionais, como a ocultação de cadáver.

A morte de Thaissa chocou a comunidade acadêmica do Centro Universitário Filadélfia (UniFil), onde a jovem cursava nutrição, e a instituição emitiu nota lamentando a perda. O caso segue sob análise da Justiça, que determinará os próximos passos do processo penal.

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