Benedita Casé Zerbini estreia como protagonista no filme 90 Decibéis

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Fonte: O GLOBO

Representatividade e protagonismo nas telas

Nesta segunda-feira (28), a TV Globo exibe o drama nacional 90 Decibéis, obra que marca a estreia de Benedita Casé Zerbini como atriz de cinema. Aos 37 anos, a artista interpreta Ana, uma advogada que enfrenta um processo de perda auditiva progressiva. O filme, dirigido por Fellipe Barbosa, destaca-se por contar com cerca de 70% de seu elenco formado por pessoas com deficiência, trazendo uma camada de autenticidade e realidade para a ficção televisiva.

Benedita, que perdeu a audição aos quatro anos de idade devido ao uso de medicamentos ototóxicos, reflete sobre sua trajetória ao transitar dos bastidores da direção audiovisual para o papel de destaque. A escolha da atriz para o papel foi confirmada após testes rigorosos, superando a preocupação inicial da produção sobre a distinção entre a surdez de nascença da atriz e a surdez progressiva da personagem.

Um reflexo da vida real

A gente tem em comum esse sentimento de se sentir deslocada. Não queria ser vista como vítima. Queria só viver a vida e estou driblando, até onde eu consigo, isso tudo.

A roteirista do longa, Julia Spadaccini, também vive a experiência da perda auditiva bilateral neurossensorial. Segundo ela, a obra busca preencher uma lacuna de representatividade que ela mesma sentiu ao longo de sua carreira. 90 Decibéis explora as dificuldades de adaptação da protagonista tanto na esfera profissional quanto na pessoal, onde a personagem precisa lidar com desafios cotidianos, incluindo a maternidade, sob a perspectiva de alguém que redescobre sua própria identidade.

Desafios técnicos e o olhar do diretor

O diretor Fellipe Barbosa adotou uma estratégia visual focada no olhar de Benedita para capturar sua essência. A constante necessidade de leitura labial da atriz exigiu planos fechados e câmeras posicionadas na altura do olhar, criando um impacto cinematográfico que reforça a complexidade de Ana. Além da atuação de Benedita, o filme conta com as participações de nomes como Stefano Carta, Pedro Neschling e Cleber Tolini.

Contexto e impacto social

A produção, que passou pelos festivais de Paris e do Rio, discute a invisibilidade de pessoas com deficiência. Para as envolvidas, o filme serve como um instrumento para ampliar o letramento social e promover uma maior inclusão nas artes. Representatividade é vista pela equipe como um passo fundamental para garantir que as pessoas com deficiência ocupem espaços de fala e atuação, deixando de serem ignoradas pela indústria do entretenimento. Como a própria Benedita aponta: se essas pessoas não forem vistas na tela, elas perdem o reconhecimento de sua própria existência na sociedade.

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