
Fonte: G1
Mobilização nacional reforça a busca por pessoas desaparecidas
Teve início uma força-tarefa em todo o território brasileiro voltada para a coleta de material genético de familiares de pessoas desaparecidas. A quarta edição desta mobilização, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, disponibiliza 342 postos de atendimento em todas as unidades da Federação. A ação, que segue até a próxima sexta-feira (28), visa fortalecer o cruzamento de dados genéticos e acelerar a identificação de cidadãos com paradeiro desconhecido.
Como funciona o processo de coleta e identificação
O procedimento de coleta é realizado de forma gratuita e indolor por órgãos periciais oficiais. A metodologia empregada não exige punção venosa, sendo efetuada através da fricção de uma haste flexível com algodão na mucosa interna da bochecha para a extração de células. Além do material coletado dos parentes, a perícia pode analisar objetos pessoais que contenham DNA, como escovas de dentes, dentes de leite ou cordões umbilicais.
Critérios para participação e diretrizes
- Prioridade para parentes de primeiro grau: pais, mães ou filhos biológicos.
- Apresentação de documento de identificação com foto pelos voluntários.
- Informações do Boletim de Ocorrência, embora não seja obrigatório no momento da coleta.
- Indivíduos que já doaram material em edições anteriores não precisam repetir o procedimento.
O objetivo é estimular a coleta de material genético de familiares para ampliar a possibilidade de identificação de pessoas, afirmou Chico Lucas, secretário Nacional de Segurança Pública.
Os perfis genéticos coletados são inseridos diretamente na Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG), permitindo o cruzamento imediato com registros de pessoas encontradas, vivas ou falecidas, com identidades não confirmadas. Desde 2013, o sistema já foi responsável pela solução de 815 casos, demonstrando a eficácia da biologia molecular como ferramenta de investigação.
Impacto da estratégia na segurança pública
A iniciativa reflete um salto expressivo na infraestrutura de perícia criminal brasileira. Desde 2021, a base de dados de pessoas desaparecidas na rede integrada expandiu de cerca de 3 mil para mais de 14 mil registros. Até julho de 2026, o sistema já havia incorporado mais de 10 mil perfis genéticos doados por familiares. Diante da relevância dos dados, será que a capilaridade das ações de coleta pode ser mantida de forma contínua durante todo o ano?
Embora a campanha concentre esforços esta semana, os órgãos de segurança reiteram que a doação pode ocorrer permanentemente em unidades periciais. Para casos em que o familiar possui limitações de locomoção, orienta-se o contato com a unidade mais próxima para viabilizar o atendimento domiciliar. O cruzamento analítico entre os bancos estaduais e o banco nacional garante que a busca não se limite à região do registro, permitindo, inclusive, a integração com bancos de dados internacionais de genoma quando necessário, consolidando uma resposta técnica e humana para milhares de famílias.
📰 Conteúdo baseado em fontes verificadas
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