Clima Econômico da América Latina melhora no 2º trimestre, aponta FGV

O Indicador de Clima Econômico (ICE) da América Latina registrou uma retomada positiva no segundo trimestre de 2026, atingindo 83,7 pontos. Após uma queda observada no início do ano, o índice avançou 10,7 pontos entre abril e junho, consolidando a tendência de crescimento verificada ao longo de 2025. Os dados, coletados pelo Ibre/FGV, mostram que a região mantém uma resiliência notável diante de tensões geopolíticas globais.

Desempenho por país e expectativas regionais

Dentre as principais economias latino-americanas, a Argentina destacou-se com uma ascensão expressiva de 54,8 pontos, alcançando 123,1 pontos, seguida pela Colômbia, que registrou um aumento de 27,0 pontos. Em contrapartida, o México foi o único país entre as grandes economias a apresentar recuo, com uma queda de 3,2 pontos. O Brasil obteve uma melhora discreta de 4,7 pontos, fixando-se em 76,9 pontos.

A América Latina foi vista por investidores como um relativo porto seguro, devido ao isolamento geográfico e ao perfil produtivo, com destaque para a condição de exportadora líquida de energia, segundo o FGV Ibre.

Apesar da volatilidade, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) regional para 2026 permanece estável em 1,9%. O mercado demonstrou cautela, mas não houve pessimismo generalizado frente aos conflitos internacionais que elevaram o custo de energia no primeiro trimestre.

Volatilidade esperada e incertezas políticas

Embora a situação atual apresente melhora, as perspectivas para o segundo semestre de 2026 exigem atenção. O Índice de Expectativas (IE) brasileiro sofreu queda, refletindo o clima de incerteza eleitoral e as dúvidas quanto ao arcabouço fiscal e reformas tributárias.

Fatores de impacto no mercado brasileiro:

  • Possibilidade de mudança na condução da política econômica pós-eleições;
  • Falta de clareza sobre as diretrizes do novo regime tributário;
  • Preocupações de investidores estrangeiros quanto à previsibilidade de longo prazo.

Para o economista Livio Ribeiro, a transição política atua como o principal fator de contaminação sobre as expectativas futuras. O cenário econômico para os próximos meses deve manter certa volatilidade, conforme o país se prepara para o pleito presidencial. A análise completa da Sondagem Econômica da FGV ressalta que, embora o pessimismo com a situação atual tenha diminuído, a cautela prevalece nas decisões de investimento. A pergunta que resta ao mercado é: como as definições políticas pós-eleitorais moldarão a confiança dos agentes econômicos no longo prazo?

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