MC Poze do Rodo Solto Após Decisão Judicial em Caso de Lavagem de Dinheiro

O funkeiro MC Poze do Rodo foi solto na tarde desta quinta-feira (14), após uma decisão da Justiça Federal que concedeu habeas corpus. A soltura ocorreu no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Ele havia sido preso durante a Operação Narco Fluxo, que investiga um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas. A desembargadora Louise Vilela Leite Filgueiras, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), assinou a decisão na quarta-feira (13).

Imagem da notícia - G1

Fonte: G1

Detalhes da Soltura e Repercussão

MC Poze do Rodo deixou o Presídio Joaquim Ferreira, um anexo da Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, em Bangu 8, escoltado pela Secretaria de Polícia Penal (Sepen). Ele foi recebido com festa por familiares e amigos. O cantor reafirmou não ter envolvimento com facções criminosas. A defesa do cantor havia solicitado a extensão da decisão que libertou o empresário Henrique Viana, conhecido como Rato, da produtora Love Funk, argumentando que ambos estavam na mesma situação jurídica.

“Não tenho ligação e nem envolvimento com nada. Não tenho envolvimento com facção”, disse Poze ao deixar a prisão.

Medidas Cautelares e Fundamentação da Decisão

Apesar da soltura, a Justiça impôs medidas cautelares a MC Poze, incluindo a entrega do passaporte, comparecimento mensal em juízo, comunicação de eventual mudança de endereço, proibição de deixar a cidade onde mora por mais de cinco dias sem autorização judicial, e não sair do país sem autorização da Justiça.

A desembargadora Louise Filgueiras justificou a decisão apontando excesso de prazo nas investigações, ausência de denúncia formal do Ministério Público Federal, e ressaltou que a prisão preventiva não pode ser usada para facilitar a produção de provas. Essa decisão se alinha com o entendimento de que a liberdade é a regra, e o aprisionamento, a exceção.

Operação Narco Fluxo e Outros Envolvidos

A Operação Narco Fluxo investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro que envolve bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas. Outros nomes como MC Ryan SP, Raphael Sousa Oliveira (dono do perfil Choquei) e o casal de influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão também foram soltos após decisões judiciais semelhantes.

A defesa de Raphael Sousa Oliveira argumentou que sua relação com os fatos investigados decorre exclusivamente da prestação de serviços publicitários regularmente remunerados. Ele teria afirmado faturar cerca de R$ 400 mil por mês com a página Choquei.

Contexto e Prisões Anteriores

Em abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já havia determinado a soltura de Poze do Rodo, mas uma nova decisão da Justiça Federal de Santos, a pedido da Polícia Federal, manteve o cantor preso preventivamente. Em 2025, ele foi preso pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) por apologia ao crime e envolvimento com o tráfico de drogas. Na época, ele era investigado por supostamente lavar dinheiro do Comando Vermelho (CV).

A DRE alegou que Poze realizava shows em áreas dominadas pelo CV, com a presença de traficantes armados, e que suas músicas faziam apologia ao tráfico e incitavam confrontos armados. Anteriormente, em 2019, ele foi preso em flagrante após um show em Sorriso, Mato Grosso, sob acusação de incitar crimes e envolvimento com menores consumindo álcool e drogas.

O que esperar agora?

A soltura de MC Poze do Rodo e outros investigados na Operação Narco Fluxo levanta questionamentos sobre o futuro das investigações e a necessidade de uma denúncia formal por parte do Ministério Público Federal. A aplicação de medidas cautelares busca garantir que os investigados permaneçam à disposição da Justiça, enquanto suas defesas preparam suas estratégias para demonstrar a ausência de envolvimento nos crimes investigados. A defesa técnica de Marlon Brandon, nome de batismo do artista, celebra a liberdade dos investigados e pede respeito ao momento de retomada do convívio familiar.

O desenrolar deste caso demonstra a complexidade das investigações sobre crimes financeiros e a importância de se garantir o devido processo legal e as garantias constitucionais dos investigados. O excesso de prazo nas investigações e a ausência de denúncia formal foram fatores determinantes para a concessão do habeas corpus.

O jurista Aury Lopes Jr. explicou que a soltura em série ocorreu por aplicação do “efeito extensivo” no habeas corpus, previsto no artigo 580 do Código de Processo Penal. Isso significa que, quando uma decisão judicial beneficia um dos investigados com base em um fundamento objetivo, esse mesmo entendimento pode ser estendido aos demais envolvidos na mesma investigação. A defesa reafirma a importância da presunção de inocência e do direito à liberdade durante o processo investigativo.

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