MC Ryan SP cobrava R$ 400 mil/dia por divulgar jogos ilegais, aponta áudio

O cantor MC Ryan SP está no centro de uma investigação da Polícia Federal sobre um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado a jogos ilegais. Um áudio obtido pelo Fantástico revela que o artista cobrava até R$ 400 mil por dia para promover plataformas de apostas. A operação da PF, que também envolve MC Poze do Rodo, cumpriu mandados em oito estados e no Distrito Federal, apreendendo cerca de R$ 20 milhões em bens.

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Fonte: G1

Detalhes da Investigação

A Polícia Federal investiga o envolvimento de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo em um esquema que movimentou cerca de R$ 1,6 bilhão. Os artistas são suspeitos de disponibilizar contas bancárias para a circulação de recursos ilícitos, misturando-os com receitas legais provenientes de cachês e direitos autorais. Segundo a PF, as redes sociais desempenhavam um papel crucial no esquema, impulsionando o fluxo financeiro nas contas dos investigados e facilitando a entrada de valores ilícitos.

Áudio Revelador e o 'Tigrinho'

Em um áudio obtido pelo Fantástico, MC Ryan SP comenta sobre os ganhos obtidos com plataformas de apostas, referindo-se a um período em que o jogo do “Tigrinho” estava particularmente lucrativo. A declaração sugere que o artista tinha ciência da origem dos recursos e do seu envolvimento na promoção de jogos ilegais:

“Nunca é bom falar dos resultados das plataformas, tá ligado? Na época que o ‘Tigrinho’ estava bom mesmo, eu estava me arregaçando, mas hoje em dia não dá mais uma arregaçada que nem dava.”

A Função do Contador e a Ocultação de Patrimônio

No centro da operação está o contador Rodrigo Morgado, apontado como o responsável por estruturar e operacionalizar as transações financeiras do esquema. A investigação revelou conversas em que Morgado orienta sobre como ocultar patrimônio, evitando o nome do artista em registros de bens. A polícia também identificou um restaurante em São Paulo, registrado em nome de uma parente de MC Ryan, que teria recebido depósitos de mais de 150 pessoas ligadas ao esquema, levantando suspeitas de ser um ponto de arrecadação de valores ligados ao crime organizado.

Como funcionava o esquema de pagamentos?

Os pagamentos a MC Ryan não eram feitos diretamente. A Polícia Federal descobriu que o dinheiro passava por empresas e diversos intermediários para dificultar o rastreamento. Além disso, grandes quantias eram frequentemente divididas em transferências menores, como um montante de R$ 5 milhões sendo fracionado em quase 500 operações de R$ 10 mil. A investigação também apurou que MC Ryan recebia valores em criptomoedas, que eram convertidas por Rodrigo Morgado. Esta estratégia tinha como objetivo reduzir alertas dos órgãos de controle.

Repercussão e Próximos Passos

A operação da Polícia Federal mobilizou mais de 200 policiais em oito estados e no Distrito Federal, cumprindo dezenas de mandados de prisão e busca e apreensão. Ao todo, foram apreendidos bens avaliados em cerca de R$ 20 milhões. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento das movimentações financeiras do esquema.

A defesa de Rodrigo Morgado afirmou que ele atua dentro dos limites legais da profissão e que comprovará sua inocência. As defesas de MC Ryan e MC Poze do Rodo negam todas as acusações. Qual será o impacto desta investigação no mundo do funk e na forma como artistas divulgam produtos e serviços online?

Com a crescente popularidade de jogos de azar online, a investigação levanta questões sobre a responsabilidade dos influenciadores na promoção desses produtos e os riscos associados à lavagem de dinheiro e ao crime organizado.

O caso deve gerar um debate mais amplo sobre a regulamentação da publicidade de jogos de azar e a necessidade de maior transparência nas transações financeiras envolvendo artistas e influenciadores.
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