Endividamento Atinge 67% dos Brasileiros, Aponta Datafolha

Uma pesquisa Datafolha recente revelou que o endividamento atinge 67% da população brasileira, com 21% enfrentando atrasos no pagamento de suas dívidas. O levantamento, divulgado em abril de 2026, expõe a crescente pressão financeira sobre as famílias, impulsionada pelo uso frequente de crédito rotativo e pela necessidade de cortes em gastos básicos. Mas, como a macroeconomia impacta diretamente no endividamento?

Imagem da notícia - O GLOBO

Fonte: O GLOBO

Cenário do Endividamento no Brasil

A pesquisa Datafolha, realizada em abril, ouviu 2.002 pessoas em 117 municípios, revelando que a situação financeira de grande parte da população é preocupante. As principais dívidas em atraso são referentes ao cartão de crédito parcelado (29%), empréstimos bancários (26%) e carnês de lojas (25%).

Impacto do Crédito Rotativo

O uso do crédito rotativo, conhecido por suas altas taxas de juros (em média 14,9% ao mês), é uma realidade para 27% dos brasileiros. Essa modalidade de crédito, acionada quando se paga apenas o valor mínimo da fatura do cartão, agrava o endividamento devido aos juros elevados.

Contas em Atraso e Cortes de Gastos

Além das dívidas financeiras, 28% dos brasileiros estão com contas de consumo e serviços em atraso, como telefone, celular, internet, IPTU, IPVA, contas de luz e água. Para lidar com a pressão financeira, muitas famílias estão reduzindo gastos com lazer (64%), alimentação fora de casa (60%) e até mesmo a quantidade de alimentos comprados (52%).

Aperto Financeiro e Preocupações

O levantamento do Datafolha também mediu o nível de aperto financeiro da população. Cerca de 45% dos brasileiros vivem em situação “apertada” ou “severa”, enquanto 36% estão em situação moderada e apenas 19% em condição leve ou sem restrições. A principal preocupação pessoal dos brasileiros é a falta de dinheiro, endividamento e o alto custo de vida (37%).

Crédito e Hábitos Financeiros

O cartão de crédito é utilizado por 57% dos brasileiros, com 13% parcelando compras de supermercado e 4% parcelando contas básicas como água e luz. A pesquisa também revelou que 68% concordam que as ofertas de crédito pelo celular ou internet incentivam gastos por impulso, e 51% acham difícil fechar as contas do mês sem usar o cartão de crédito. Apenas 44% dos brasileiros fazem um orçamento detalhado, e 66% não têm nenhuma poupança.

Programas de Renegociação e Perspectivas

Em resposta ao alto nível de endividamento, o governo tem implementado programas de renegociação de dívidas, como o “Desenrola Brasil”. No entanto, especialistas apontam que essas iniciativas podem ter um efeito limitado se não forem acompanhadas de medidas para reduzir as taxas de juros e promover a educação financeira.

Impacto da Taxa de Juros e Renda Comprometida

De acordo com o Estadão, o comprometimento da renda acima de 70% e os juros altos são fatores que levam o calote dos brasileiros a níveis recordes. O economista-chefe da Enótita Investimentos, Luiz Rabi, observa que, mesmo com a renda aumentando, o serviço da dívida cresceu mais, gerando inadimplência. A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, destaca a grande oferta de crédito nos últimos tempos e o aumento da bancarização, que deixaram os tomadores de crédito mais sujeitos à alta dos juros.

O Futuro do Endividamento

A desaceleração no ritmo de concessão de crédito e a alta da inflação, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, podem agravar ainda mais o cenário de endividamento nos próximos meses. A expectativa é de que a inadimplência continue alta, a menos que medidas eficazes sejam tomadas para controlar os juros e melhorar a educação financeira da população.

Postagem Anterior Próxima Postagem