O GPA (Grupo Pão de Açúcar) protocolou um pedido de recuperação extrajudicial visando reestruturar R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais. A medida, tomada após a empresa expressar preocupações sobre a continuidade de seus negócios, busca suspender execuções de dívidas e pagamentos de juros por 90 dias, sem impactar operações, fornecedores ou salários. A decisão foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração e já conta com apoio de credores representando 46% do endividamento total.

Fonte: NeoFeed
Entenda a Recuperação Extrajudicial do GPA
A recuperação extrajudicial é um acordo entre a empresa e seus credores para renegociar dívidas de forma amigável, fora do âmbito judicial. No caso do GPA, a medida visa dar fôlego para a reestruturação operacional liderada pelo CEO Alexandre Santoro. Ele afirma que o pedido não afetará as operações diárias, pagamentos a fornecedores ou salários de colaboradores. O GPA busca aprovação dos demais credores durante os 90 dias de suspensão, negociando os termos da reestruturação com o auxílio do escritório Munhoz Advogados.
Quais os Impactos Financeiros?
O pedido de recuperação extrajudicial ocorre em um momento financeiramente delicado para o GPA. A empresa enfrenta vencimentos de R$ 1,7 bilhão nos próximos 12 meses e reportou um déficit de capital circulante de R$ 1,22 bilhão em 2025. Essa situação levou a Fitch Ratings a rebaixar a nota da empresa, citando riscos elevados de refinanciamento e uma posição de liquidez enfraquecida. No quarto trimestre de 2025, o GPA registrou um prejuízo de R$ 651 milhões e alertou para a “existência de incerteza relevante” sobre sua continuidade operacional.
Reação do Mercado e Perspectivas Futuras
Após o anúncio, as ações do GPA (PCAR3) lideraram as quedas do Ibovespa, recuando mais de 5% na manhã desta terça-feira. Em 12 meses, os papéis acumulam queda de 31%, levando o valor de mercado a R$ 1,3 bilhão. A empresa busca reduzir despesas operacionais em R$ 415 milhões e o capex de 2026 para uma faixa de R$ 300 milhões a R$ 350 milhões. Alexandre Santoro acredita que os ajustes operacionais, combinados com a renegociação do passivo, trarão resultados positivos para o GPA.
Quais os próximos passos?
Com o apoio inicial de credores representando quase metade da dívida, o GPA busca agora o aval dos demais para aprovar o plano de recuperação extrajudicial. A empresa tem 90 dias para negociar os termos da reestruturação e apresentar uma proposta que seja aceita pela maioria dos credores. O sucesso da recuperação extrajudicial é crucial para o GPA fortalecer seu balanço, melhorar seu perfil de endividamento e garantir sua sustentabilidade financeira a longo prazo. A reestruturação é vista como um passo fundamental para permitir que o GPA volte a focar em sua eficiência operacional e geração de caixa.