GPA Busca Recuperação Extrajudicial de R$ 4,5 Bi para Renegociar Dívidas

O Grupo GPA, responsável pela rede de supermercados Pão de Açúcar, anunciou um acordo com credores para um plano de recuperação extrajudicial de R$ 4,5 bilhões. A medida, que visa reorganizar as finanças da empresa sem recorrer à recuperação judicial, já conta com o apoio de credores que representam 46% dos créditos envolvidos. O plano prevê a suspensão temporária dos pagamentos dessas dívidas enquanto a empresa negocia novas condições.

Entenda a Recuperação Extrajudicial

A recuperação extrajudicial é um acordo no qual uma empresa renegocia parte de suas dívidas diretamente com seus credores, fora do âmbito judicial. Qual o objetivo? Ganhar tempo e obter melhores condições de pagamento para reestruturar as finanças e evitar problemas mais sérios, como a falência, mantendo as operações em funcionamento.

Detalhes do Acordo

O acordo, aprovado por unanimidade pelo conselho de administração do GPA, já assegura o apoio de credores que detêm 46% dos créditos incluídos no processo, um montante de aproximadamente R$ 2,1 bilhões. Esse percentual supera o mínimo exigido por lei para dar início a esse tipo de negociação. O período inicial de negociações é de 90 dias, prazo em que a empresa espera obter o apoio da maioria dos credores para alcançar uma solução definitiva para a reestruturação de seu endividamento.

Impacto nas Operações

O GPA assegurou que dívidas com fornecedores, parceiros, clientes e obrigações trabalhistas não fazem parte do plano e, portanto, não serão afetadas. Isso significa que as operações do grupo devem seguir operando normalmente. Em comunicado ao mercado, o GPA destacou que a iniciativa busca melhorar o perfil da dívida e fortalecer o balanço da companhia, criando condições para resolver problemas de liquidez no curto prazo e garantir a sustentabilidade financeira no longo prazo. A empresa reiterou que suas lojas continuarão funcionando normalmente e que está em dia com os pagamentos a fornecedores e parceiros comerciais.

Ameaça à Continuidade e Estratégias Adotadas

Em fevereiro, o GPA havia alertado o mercado sobre a existência de “incerteza relevante” sobre a continuidade de suas operações. No balanço divulgado, a empresa mencionou que a melhora dos resultados operacionais recentes não foi suficiente para conter os prejuízos no balanço. O pedido de recuperação extrajudicial é uma das estratégias para mitigar essa ameaça. O CEO do GPA, Alexandre Santoro, enfatizou que a medida é o início de um processo de reestruturação das dívidas não operacionais e que não afeta o pagamento a fornecedores, aluguel de lojas ou salários de colaboradores.

Próximos Passos

Com o pedido de recuperação extrajudicial protocolado, a empresa terá 90 dias para avançar nas negociações com os credores, período durante o qual as obrigações com os credores afetados ficam suspensas. Para a homologação do acordo, é necessário o apoio de 50% mais um dos credores. O diretor financeiro do GPA, Pedro Albuquerque, informou que parte do passivo inclui vencimentos de curto prazo, com cerca de R$ 500 milhões vencendo em maio e entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão com vencimento previsto para julho. Albuquerque também destacou que o processo não inclui passivos trabalhistas ou tributários, que seguem sendo tratados separadamente.

Endividamento e Perspectivas

No último balanço, o GPA divulgou que a dívida líquida, incluindo recebíveis de cartão de crédito não antecipados, somou R$ 2 bilhões ao final de 2025, um aumento de R$ 729 milhões em relação ao registrado no fim de 2024. A recuperação extrajudicial representa uma tentativa de reorganizar as finanças e garantir a sustentabilidade do Grupo Pão de Açúcar a longo prazo, em um cenário de crescentes desafios financeiros. O plano, segundo o GPA, foi estruturado justamente para preservar a operação do negócio enquanto as negociações com credores avançam.

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