Após o temor de uma greve de caminhoneiros que pairava sobre o mercado, entidades da categoria decidiram suspender a paralisação, após o governo anunciar medidas para atender às reivindicações. A decisão foi tomada após assembleia em Santos (SP) e a categoria aguarda os próximos passos das negociações com o governo, que incluem uma reunião com o ministro Guilherme Boulos. A expectativa é que as medidas tomadas pelo governo evitem impactos severos na economia, como os observados na greve de 2018.

Fonte: InfoMoney
Entidades Apoiam Medida Provisória e Mantêm Estado de Greve
Entidades ligadas aos caminhoneiros manifestaram apoio à Medida Provisória nº 1.343/2026, que torna obrigatório o registro de todas as operações de transporte pelo Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), permitindo à ANTT cruzar os valores pagos com o piso mínimo do frete rodoviário. Apesar do apoio à MP, o estado de greve permanece até a conclusão das negociações sobre outros pontos da pauta da categoria. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) suspendeu a paralisação nacional, atribuindo a decisão à publicação da MP nº 1.343/2026, mas continuará negociando outras pautas com o governo, que poderão ser apresentadas por meio de emendas à medida provisória.
"Está mantido o estado de greve. Se em sete dias o governo não resolver a situação e não der um sinal positivo para as pautas, eles vão parar", disse José Roberto Stringasci, presidente da Associação Nacional de Transporte no Brasil (ANTB).
Impactos Econômicos em Análise: Lições de 2018
Analistas de mercado traçam paralelos com a greve de maio de 2018, que interrompeu o fornecimento de insumos e bens finais na economia. A XP Investimentos aponta que o impacto na economia foi rápido, afetando tanto a inflação quanto o PIB. Na época, a abrupta redução no transporte de insumos e bens finais provocou um salto nos preços, capturado pelo IPCA de junho. A projeção preliminar para o IPCA do mês (antes da paralisação, em abril) indicava alta de 0,22%, enquanto o resultado efetivo mostrou aumento de 1,26%.
Setores Mais Vulneráveis
O Goldman Sachs fez uma análise para as concessões pedagiadas, como Motiva (ex-CCR; MOTV3) e Ecorodovias (ECOR3), observando que cerca de 52% do tráfego total é composto por veículos pesados, que seriam diretamente impactados por uma eventual greve. O Bank of America avaliou os efeitos para o setor de bebidas e alimentos, apontando que a cadeia de suprimentos de frango foi o segmento mais afetado dentro do setor de proteínas em 2018.
- Petrobras (PETR3;PETR4): Em 2018, as ações da Petrobras registraram quedas acentuadas, com baixas de cerca de 26% para as duas classes de ativos.
- Transportes: Queda de 5% no tráfego no segundo trimestre de 2018 tanto na Ecorodovias quanto na Motiva.
- Alimentos: Queda de 10% na produção de alimentos em maio de 2018 em relação ao mês anterior.
Quais os próximos passos?
Com a suspensão da greve, o governo ganha fôlego para negociar os pontos pendentes com os caminhoneiros. A reunião com o ministro Guilherme Boulos será crucial para definir os próximos passos e evitar uma nova paralisação. A implementação efetiva da MP nº 1.343/2026 e o monitoramento dos preços do diesel serão determinantes para garantir o abastecimento e a estabilidade do setor de transportes.
Ainda que a greve tenha sido suspensa, os investidores e a população devem ficar atentos aos desdobramentos das negociações e aos possíveis impactos na economia. O governo precisará demonstrar capacidade de diálogo e encontrar soluções que atendam às demandas dos caminhoneiros sem comprometer a saúde financeira do país.