A Vale (VALE3) registrou um lucro líquido de US$ 2,3 bilhões em 2025, representando uma queda de 62% em comparação com o ano anterior. O resultado foi impactado por despesas contábeis extraordinárias, incluindo a redução do valor contábil dos ativos de níquel e baixas contábeis em impostos diferidos, além de custos relacionados a processos de compensação da tragédia de Mariana.

Fonte: UOL Economia
Impacto no Quarto Trimestre de 2025
No quarto trimestre de 2025, a Vale apresentou um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões, um valor 5,5 vezes maior que o prejuízo registrado no mesmo período de 2024. Excluindo os eventos extraordinários, a empresa teria apresentado um lucro líquido de US$ 1,5 bilhão no trimestre e US$ 7,8 bilhões no ano.
Desempenho Operacional e Metas Superadas
Apesar do impacto financeiro, a Vale elevou em 2,6% a produção de minério de ferro em 2025, atingindo 336,1 milhões de toneladas. Esse volume superou a produção da concorrente Rio Tinto em Pilbara, um importante polo produtor na Austrália. O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, destacou que a empresa entregou um desempenho excepcional, atingindo ou superando todos os guidances estabelecidos para 2025.
EBITDA Ajustado e Receita Líquida
O EBITDA ajustado somou US$ 4,6 bilhões no quarto trimestre, impulsionado por maiores volumes de vendas e preços de cobre e minério de ferro, além de receitas de subprodutos e melhorias operacionais. A receita líquida de vendas atingiu US$ 11,06 bilhões no mesmo período, um aumento de 9% em relação ao quarto trimestre de 2024.
Dívida e Perspectivas para Metais Básicos
A dívida líquida da Vale totalizou US$ 11,2 bilhões no quarto trimestre, um aumento de 7% em relação ao ano anterior. A dívida líquida expandida, incluindo provisões de Brumadinho, Samarco e swaps cambiais, somou US$ 15,6 bilhões. O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, mencionou que o mercado está começando a perceber o valor do negócio de metais básicos da companhia. Em 2025, a Vale produziu 382 mil toneladas de cobre e 177 mil toneladas de níquel. O Ebitda da Vale Base Metals (VBM) contribuiu com US$ 852 milhões para o crescimento do Ebitda da Vale no quarto trimestre.
Flexibilidade na Cadeia de Valor
O vice-presidente executivo comercial e desenvolvimento da Vale, Rogerio Nogueira, afirmou que a empresa está buscando uma cadeia de valor mais flexível para se adequar às diversas possibilidades de demanda do mercado. Segundo ele, os prêmios dos produtos principais permanecem “resilientes”, apesar da margem menor da cadeia de aço.
Quais os próximos passos?
Diante desse cenário, a Vale busca otimizar suas operações e explorar oportunidades no mercado de metais básicos, enquanto lida com os impactos financeiros de eventos extraordinários e mantém o foco em sua produção de minério de ferro. Resta saber se a percepção do mercado sobre o valor dos metais básicos da Vale se traduzirá em resultados financeiros mais robustos nos próximos trimestres. A atenção se volta agora para as estratégias de crescimento da VBM e a flexibilização da cadeia de valor para atender às demandas do mercado.