Mensagens revelam encontro de Vorcaro com Gilmar Mendes no STF

Interlocução revelada em investigação da Polícia Federal

Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, responsável pelo Banco Master, reuniu-se com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes em 11 de abril de 2024. O encontro, realizado no gabinete do magistrado na sede do Tribunal, teve como objetivo pleitear votos favoráveis em processos bilionários envolvendo usinas do setor sucroalcooleiro. A disputa jurídica gira em torno de precatórios que compõem a carteira de ativos do Banco Master, cujos valores poderiam ser severamente afetados por decisões desfavoráveis da Corte.

Intermediação e atuação de ex-cunhado

A articulação para a audiência contou com o auxílio do ex-senador Chiquinho Feitosa, que na época mantinha laços familiares com o ministro. Registros indicam que Feitosa possuía um contrato de assessoria com uma empresa do grupo de Vorcaro, com pagamentos mensais de R$ 500 mil. As mensagens trocadas entre o ex-senador e o banqueiro detalham a estratégia para aproximar o dono do Banco Master dos gabinetes do Supremo. O ex-cunhado de Mendes teria aconselhado Vorcaro a estabelecer uma relação direta com o magistrado, classificando-a como estratégica para o futuro dos negócios.

Detalhes da audiência e posicionamento oficial

Conforme o relato dos diálogos, Vorcaro solicitou um tempo de reunião para tratar de pautas específicas e solicitou a entrada de terceiros, incluindo o ex-advogado-geral da União, Bruno Bianco, para reforçar os argumentos jurídicos. A assessoria de Gilmar Mendes confirmou a realização da audiência em ambiente institucional, sublinhando que o recebimento de advogados constitui prerrogativa profissional garantida pela Lei 8.906/1994. O ministro afirmou, categoricamente, que não teve conhecimento de tratativas paralelas e que não responde por relações privadas de ex-parentes.

O Ministro não teve conhecimento de qualquer tratativa entre ele e Daniel Vorcaro, não foi por ele procurado sobre os assuntos mencionados e não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parente.

Quanto ao mérito das causas, o gabinete do ministro destacou que, em diversos julgamentos envolvendo os precatórios citados, Gilmar Mendes proferiu votos contrários aos interesses defendidos pelo Banco Master. Em processos específicos, como o da Destilaria Alcídia e da Raízen, o magistrado manteve postura divergente das teses do banqueiro, ficando vencido em colegiado ao lado do ministro André Mendonça. Questiona-se, portanto: até que ponto a interlocução privada influencia o cenário jurídico de grandes causas no Brasil? O caso permanece sob análise e desdobramentos sobre a conduta das partes envolvidas seguem em acompanhamento pelos órgãos de controle.

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