Mendonça solicita manifestação da PGR sobre mensagens de Daniel Vorcaro

Investigação sobre interferência em órgãos de controle

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresente manifestação sobre um relatório da Polícia Federal que detalha trocas de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. O despacho estabelece um prazo de cinco dias para que a PGR, chefiada por Paulo Gonet, analise o conteúdo, que sugere tentativas de intervenção institucional.

As mensagens, extraídas do celular de Vorcaro, revelam apelos frequentes do banqueiro para que Moraes intercedesse junto a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e ao próprio Paulo Gonet. O objetivo declarado por Vorcaro era travar o avanço da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras bilionárias envolvendo sua instituição, incluindo a emissão de títulos sem lastro.

Contexto das solicitações e interlocução com o STF

Conforme os dados da investigação, o primeiro pedido de intervenção ocorreu em 30 de outubro de 2025. Vorcaro solicitava que as autoridades de cúpula impedissem que investigadores de níveis hierárquicos inferiores realizassem o que ele classificava como "sacanagem" contra o Banco Master. O banqueiro buscava, segundo os registros, blindar a instituição de medidas cautelares iminentes que poderiam comprometer suas operações.

Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso.

A apuração aponta que Vorcaro possuía informações privilegiadas sobre os desdobramentos das investigações e buscava ativamente contornar as ordens judiciais. O banqueiro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, enquanto tentava embarcar em um voo com destino a Dubai, levantando suspeitas de tentativa de fuga do país em meio à liquidação do banco pelo Banco Central.

Relações profissionais e contratos advocatícios

Além das mensagens, o caso envolve um contrato milionário entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci. Dados indicam que o escritório foi contratado por valores na casa dos R$ 129 milhões, dos quais cerca de R$ 80 milhões teriam sido repassados. Sobre a relação, a defesa do escritório afirmou que houve consulta ao setor de compliance sobre eventuais impedimentos, concluindo pela legalidade da contratação, visto que o ministro não possuía processos do banco sob sua relatoria.

Será que a análise da PGR trará novos desdobramentos sobre a integridade das investigações em curso? A PF mantém a apuração sobre as atividades de Vorcaro, enquanto a PGR avalia os elementos fornecidos pelo ministro Mendonça. O episódio reforça a complexidade das relações entre agentes do mercado financeiro e membros do Poder Judiciário em investigações de grande escala.

Postagem Anterior Próxima Postagem