Enamed 2026: Faculdades sob pressão buscam elevar notas dos alunos

Preparação sob supervisão governamental

O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que ocorre neste domingo (13) em todo o território nacional, tornou-se o centro de uma intensa movimentação institucional. Com a nova política integrada para a formação em medicina, estabelecida pela Medida Provisória n° 1370/2026, o exame passou a ser um pilar fundamental para medir a qualidade dos cursos de graduação e a proficiência dos estudantes. O desempenho na prova, que também servirá como critério para residências médicas e, futuramente, para o registro no CRM, gerou preocupação em instituições que obtiveram notas baixas na edição anterior.

Invariavelmente, a nota do Enamed pode até subir, mas a qualidade da formação médica, não.

Instituições que registraram notas 1 ou 2 na primeira edição do exame adotaram medidas emergenciais, como a alteração em critérios de avaliação e a contratação de cursinhos especializados. Especialistas alertam que a estratégia pode ser paliativa. Para Alexandre Nicolini, especialista em design curricular, essas ações buscam mitigar lacunas, mas não garantem o desenvolvimento das competências necessárias para o exercício da medicina, focando mais na performance técnica do que na prática clínica.

Desafios e conflitos acadêmicos

  • Alterações em médias de aprovação sem aviso prévio adequado.
  • Substituição de estágios práticos por atividades em laboratório ou cursinhos.
  • Disputas judiciais entre alunos e instituições por mudanças nos projetos pedagógicos.

Em casos como o da Uniderp e da Unicid, estudantes questionaram a substituição da carga horária de atendimento a pacientes por reforço escolar focado na prova. Em Roraima, alunos do 8º semestre da UERR relataram incertezas quanto à própria participação no exame devido a falhas na inscrição, que é de responsabilidade da instituição. A complexidade do cenário reflete o impacto financeiro das sanções do Ministério da Educação, que podem incluir o bloqueio de novas vagas e a interrupção de contratos do Fies. Prejuízos financeiros significativos impulsionam a busca por resultados rápidos, gerando um debate sobre o verdadeiro propósito da avaliação na formação dos futuros médicos do país.

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