Crise imobiliária: imóveis de classe média atingem recorde de escassez

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Fonte: InfoMoney

O declínio histórico do segmento de classe média

O mercado imobiliário brasileiro enfrenta uma transformação profunda, com a oferta de moradias destinadas à classe média atingindo o seu pior patamar histórico. Segundo dados da Brain Inteligência Imobiliária, unidades com valor entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões, que já foram o carro-chefe das incorporadoras, hoje correspondem a apenas 18,9% dos lançamentos e 24,1% das vendas totais nas capitais. Esse cenário é impulsionado pela combinação de juros elevados, endividamento das famílias e aumento nos custos de construção.

Impacto direto dos juros no acesso à moradia

A taxa Selic elevada impacta diretamente o poder de compra da parcela da população que ganha entre R$ 10 mil e R$ 30 mil mensais. De acordo com a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), cada subida de 1 ponto percentual nos juros inviabiliza a compra para cerca de 1,3 milhão de brasileiros. O custo de financiamento tornou a aquisição de um imóvel novo incompatível com a realidade orçamentária de muitas famílias, que optam por aguardar uma estabilização econômica.

A classe média está comprimida. Não é só o juro alto que pesa. Também tem o efeito da pressão dos custos de construção e da falta de terrenos, afirmou Emílio Kallas, presidente da Kallas.

Mudança estratégica das incorporadoras

Diante da dificuldade em fechar a equação financeira, incorporadoras como Trisul, Tecnisa, Even e Setin reduziram ou abandonaram projetos focados no médio padrão. A migração das empresas tem sido direcionada para dois polos distintos: o segmento de luxo, que atende clientes menos dependentes de financiamento, e o Minha Casa, Minha Vida, que conta com juros subsidiados. Essa estratégia visa garantir a viabilidade operacional diante de um mercado mais seletivo.

Desafios no setor de alto padrão

Paralelamente, o segmento de luxo também apresenta sinais de retração, com queda de 39% nas vendas no primeiro semestre de 2026. A superoferta em capitais como São Paulo desgastou o conceito de exclusividade, levando a um estoque de até 21 meses em algumas categorias. O analista André Mazini, do Citi, alerta que o mercado caminha para um nível de alerta vermelho, onde a velocidade de vendas está em declínio constante.

Perspectivas futuras para o setor

Será que veremos uma recuperação do médio padrão nos próximos anos? A expectativa do mercado é de uma estabilização gradual, mas o cenário de curto prazo permanece desafiador. Enquanto propostas como a expansão do Minha Casa, Minha Vida não são plenamente efetivadas, a orientação para o consumidor é cautela. Mais informações podem ser acompanhadas pelo portal InfoMoney.

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