Reforma Tributária traz mudanças na contabilidade e no fluxo de caixa

Novas diretrizes para o reconhecimento contábil de IBS e CBS

A implementação da Reforma Tributária tem exigido atenção redobrada do mercado. O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) publicou a Orientação Técnica nº 001/2026, estabelecendo diretrizes essenciais para o reconhecimento, a mensuração e a divulgação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). O documento foca em pontos cruciais, como o reconhecimento da receita e o tratamento dos créditos fiscais.

De acordo com o CFC, na demonstração do resultado, recomenda-se a segregação do valor da operação entre o preço do produto ou serviço e o montante dos tributos. Enquanto a primeira parte constitui a receita da empresa, a segunda é classificada como um passivo. Quanto aos créditos fiscais, a administração possui autonomia para definir a apresentação do ativo no balanço, desde que a informação transmita a realidade das transações da organização.

Impactos operacionais e o mecanismo de Split Payment

Paralelamente às orientações contábeis, o setor produtivo enfrenta a introdução do split payment, um sistema de pagamento dividido que recolhe impostos automaticamente no ato da venda. O modelo visa aumentar a rastreabilidade e combater a sonegação. Contudo, entidades empresariais, como a CDL de Fortaleza, alertam para o impacto direto no capital de giro, visto que o valor do tributo deixará de transitar pelo caixa das empresas.

Adaptação aos prazos da NFS-e

O Comitê Gestor da Nota Fiscal de Serviço de Padrão Nacional (CGNFS-e) também divulgou cronogramas para o destaque do IBS e da CBS. Os prazos de incorporação variam conforme a natureza do serviço, com datas marcadas para outubro e dezembro de 2026. Empresas devem estar atentas para evitar desconformidades, embora o sistema não rejeite documentos sem as informações até o final de 2026.

Diante desse cenário, será que o setor produtivo conseguirá realizar a transição tecnológica e financeira necessária sem comprometer a liquidez de curto prazo? A necessidade de rever processos de gestão financeira, contratos e estratégias de precificação torna-se um imperativo para a sustentabilidade dos negócios neste período de transição da reforma tributária.

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