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Fonte: O GLOBO
O Nepal enfrenta uma crise humanitária sem precedentes após uma enchente causada pelo colapso de uma geleira atingir a região de fronteira com o Tibete na última quarta-feira (26). A torrente de rochas, gelo, lama e detritos varreu infraestruturas, deixando um rastro de destruição que já contabiliza centenas de mortes. Diante da complexidade do cenário, o governo nepalês, que inicialmente gerenciava a situação internamente, solicitou formalmente assistência técnica estrangeira para desafios específicos, como o resgate em túneis, identificação por DNA e armazenamento de corpos.
Desafios na identificação e resgate
As operações de busca enfrentam severas limitações logísticas e de segurança sanitária. Engenheiros que trabalham na região relataram que o material arrastado pela enchente possui uma densidade maior do que a do concreto, dificultando o resgate de sobreviventes e a recuperação de vítimas sob os escombros. Com a decomposição avançada de alguns corpos, autoridades distritais decidiram realizar o enterro após a coleta de material genético para futuras identificações.
Tudo foi levado. Há corpos por toda parte. Não há água. Não há civilização alguma.
A situação é agravada pelo desaparecimento de quase 3.000 pessoas, incluindo centenas de estrangeiros e peregrinos hindus. Equipes especializadas da Índia e da China já começaram a chegar ao país, trazendo suprimentos e expertise para reconstrução de pontes e restauração das linhas de comunicação, fundamentais para a logística das operações.
Impacto econômico e riscos persistentes
O ministro das Finanças do país, Swarnim Wagle, estima que o custo para a reconstrução do país será entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões. A infraestrutura de energia e transporte foi duramente atingida, e o monitoramento de lagos a montante permanece como uma prioridade, visto que o risco de transbordamento persiste até que as bacias sejam drenadas. Como o país pode se recuperar de uma tragédia que destruiu seus principais eixos de mobilidade?
- Mais de 600 mortes confirmadas até o momento.
- Aproximadamente 3.000 pessoas seguem desaparecidas.
- Governo busca cooperação técnica para restauração de túneis e comunicação.
- Risco de surtos sanitários força procedimentos rápidos de sepultamento.
Enquanto o trabalho de limpeza das rodovias avança, a atenção internacional se volta para a vulnerabilidade das comunidades de montanha, que enfrentam não apenas a perda de moradias, mas também a incerteza de um futuro marcado pela necessidade de uma reconstrução estrutural de grande escala.
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