Chefe de seguranças em Copacabana admite histórico de agressões de Davi

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Fonte: O GLOBO

Investigação aponta falhas na contratação de seguranças de rua

O caso do linchamento do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, ocorrido em Copacabana no dia 12 de agosto, ganhou novos contornos após o depoimento de Aluísio da Silva Filho à Polícia Civil. Apontado como o coordenador da equipe de "seguranças de rua" que atuava na região, Aluísio confirmou, em depoimento na 12ª DP, que já havia recebido reclamações sobre a conduta agressiva de Davi Santos Machado, um dos envolvidos na morte da vítima. O depoimento revela lacunas graves no controle dessas atividades informais.

Ausência de critérios e profissionalização

Aluísio declarou que o grupo de "apoiadores" não passava por processos de seleção rigorosos. Segundo o coordenador, que atua na função há mais de 25 anos, a contratação de Davi e dos outros membros não exigia experiência prévia, curso de formação, habilitação profissional ou apresentação de certidões de antecedentes criminais.

"O critério utilizado para selecionar e contratar os apoiadores não exigia experiência anterior, curso, habilitação profissional, certidão de antecedentes ou qualquer outra documentação"
, afirmou o responsável pelo grupo. A escala de trabalho era organizada via aplicativos de mensagens, com pagamentos semanais feitos diretamente por comerciantes locais.

CNDH exige apuração rigorosa

O impacto do crime, onde Cláudio Rafael foi injustamente acusado de furtar a própria bicicleta e espancado até a morte, levou o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) a intervir. O órgão enviou um ofício à Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro cobrando uma investigação profunda sobre a existência dessas milícias urbanas. O conselheiro Carlos Nicodemos destacou a preocupação com a lacuna na segurança pública que permite a proliferação de práticas ilegais financiadas por particulares. O CNDH solicitou um posicionamento oficial em até cinco dias, buscando identificar se há redes organizadas por trás desses serviços de segurança informal.

  • Cláudio Rafael morreu em decorrência de hemorragia interna e traumatismo craniano após receber 63 pauladas.
  • Além de Davi Santos Machado, outros três suspeitos, incluindo dois entregadores, estão presos.
  • O grupo não possuía autorização para realizar revistas ou usar força física contra suspeitos.

A sociedade discute agora até que ponto a banalização do "justiçamento" reflete o esvaziamento das instituições legais. Como a atuação de grupos informais pode ser contida sem que a segurança pública perca sua autoridade constitucional? O desdobramento das investigações deve esclarecer a responsabilidade dos estabelecimentos que financiaram essa estrutura precária e violenta em Copacabana.

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