Banco do Brasil ajusta estratégia após queda no lucro do primeiro semestre

Estratégia para retomada da rentabilidade

O Banco do Brasil (BBAS3) enfrenta um cenário de desafios operacionais em 2026, marcado por uma queda de 34,2% no lucro líquido ajustado do primeiro semestre, que somou 7,3 bilhões de reais. Esse desempenho foi impactado pela deterioração da qualidade da carteira de crédito, especialmente no setor de agronegócio e na inadimplência de pessoas físicas. Diante deste cenário, a instituição anunciou um plano estratégico voltado à reestruturação da concessão de crédito, focando em clientes de alta renda e na ampliação de garantias para o setor rural.

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Fonte: VEJA

Ajustes no crédito para pessoas físicas

O aumento da inadimplência, que atingiu 5,61% na carteira consolidada, foi impulsionado drasticamente pelo segmento de cartões de crédito, onde o índice dobrou em apenas três meses. A presidente do banco, Tarciana Medeiros, afirmou que a instituição priorizará linhas de menor risco, como o consignado, para reverter a tendência. A estratégia busca melhorar a qualidade da carteira e reduzir os riscos evidenciados no balanço. O foco será direcionado a produtos de maior valor agregado, como o segmento Altus Liv, enquanto clientes das classes D e E ficarão fora da prioridade de concessão no curto prazo.

Recuperação no agronegócio

Para o setor agropecuário, o banco aposta na Medida Provisória 1.376/2026 como ferramenta de auxílio na renegociação de dívidas. Atualmente, 70% da carteira do setor já conta com garantias de alienação fiduciária, fator que serve como mitigador de riscos. Embora o crescimento da carteira agro tenha ficado em 4,1%, o banco mantém sua meta de oscilação entre queda de 2% e alta de 2% para o ano, buscando otimizar o estoque de crédito existente.

Remuneração aos acionistas

Mesmo em um período de ajustes operacionais, a instituição aprovou o pagamento de 584,9 milhões de reais em Juros sobre Capital Próprio (JCP) complementar, referente ao segundo trimestre. Considerando a parcela antecipada em junho, a remuneração total ligada ao segundo trimestre alcança 925,6 milhões de reais. Terão direito aos valores os investidores posicionados em 1º de setembro de 2026. A pergunta que permanece é: as medidas de rigor no crédito serão suficientes para isolar o balanço dos riscos macroeconômicos e do impacto climático do El Niño até o fim do ano?

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