O Paraguai convocou nesta quinta-feira (30) o embaixador do Brasil para entregar uma nota oficial sobre declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a respeito da Guerra da Tríplice Aliança. A crise diplomática se instalou após Lula, em discurso no dia 24 de julho, em Jacareí (SP), mencionar o conflito histórico ao defender investimentos em defesa, afirmando que o Paraguai um dia invadiu o Brasil, a Argentina e o Uruguai.
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Fonte: G1
Reação paraguaia e diálogo presidencial
O chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, anunciou que o governo defenderá a "dignidade" e os interesses do país. Lezcano confirmou que os presidentes Santiago Peña e Lula conversaram por telefone sobre o tema, buscando gerenciar a crise diplomática. Em entrevista coletiva, Lezcano enfatizou que a dignidade do Paraguai "não é negociável" e que a questão foi abordada ao mais alto nível desde o início. Na quarta-feira (29), a Câmara dos Deputados do Paraguai já havia emitido uma declaração de repúdio, considerando as falas de Lula como uma distorção e minimização da dimensão histórica do conflito.
Entendendo a Guerra do Paraguai
A Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança, ocorreu entre 1864 e 1870, sendo o maior e mais sangrento conflito armado da América do Sul. O embate colocou o Paraguai contra a aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. As causas do conflito são multifacetadas, incluindo disputas territoriais, de influência política na Bacia do Prata e a intervenção brasileira na guerra civil uruguaia. O estopim foi a intervenção paraguaia no Uruguai e a subsequente invasão do Mato Grosso, território brasileiro.
O impacto e a memória do conflito
O conflito teve consequências devastadoras para o Paraguai, com a perda de cerca de 40% de seu território e uma grave crise demográfica, especialmente entre a população masculina. A guerra terminou com a morte do presidente paraguaio Francisco Solano López em 1870. A memória da guerra permanece sensível e é motivo de divergência entre Brasil e Paraguai. No Paraguai, Solano López é considerado herói nacional, enquanto historiografias mais recentes no Brasil contestam interpretações tradicionais sobre as causas e a condução do conflito. A convocação do embaixador brasileiro é um sinal claro da insatisfação paraguaia e da importância que o país atribui à preservação de sua narrativa histórica.