Os Estados Unidos anunciaram a imposição de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, a partir da 01h01 desta sexta-feira (horário de Brasília). Esta medida se soma a uma tarifa de 25% confirmada anteriormente, elevando a preocupação com o acesso de exportações brasileiras ao mercado norte-americano.

Fonte: Folha de S.Paulo
Motivação e Alcance das Novas Tarifas
A penalidade de 12,5% é resultado de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sobre a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. O Brasil, juntamente com outras 53 nações, foi enquadrado na categoria de países que não proíbem e não fiscalizam adequadamente esse tipo de importação. A base legal para as tarifas é a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA agir contra práticas comerciais consideradas injustas ou discriminatórias.
A nova medida se soma às tarifas de 25% já em vigor, o que, segundo estimativas da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), pode resultar em uma tarifa acumulada de 37,5% sobre cerca de US$ 10,7 bilhões em exportações brasileiras. A Amcham calcula que 85% de três mil produtos exportados do Brasil para os EUA podem ser afetados.
Resposta do Governo Brasileiro e Exceções
O governo brasileiro reagiu às novas tarifas, classificando-as como uma manipulação de temas sensíveis e criticando a falta de base legal. O plano Brasil Soberano, com R$ 18,5 bilhões em recursos, foi lançado para auxiliar empresas afetadas por tarifas anteriores e também atenderá aos impactados pelas novas medidas.
No entanto, importantes setores da pecuária nacional foram excluídos da sobretaxa de 12,5%. A carne bovina, couros, peles e outros subprodutos de origem animal foram preservados, atendendo a demandas de setores americanos que utilizam o couro brasileiro como matéria-prima. Insumos para rações também foram isentos.
A Amcham defende negociações diplomáticas para tentar reverter ou reduzir as cobranças adicionais, buscando estabilizar as cadeias produtivas e os investimentos bilaterais. A entidade alerta que a escalada de tarifas pode agravar os impactos econômicos e afetar a previsibilidade para empresas e investidores.
Desdobramentos e Impactos
Especialistas avaliam que a nova leva de taxas pode ter sido uma forma de substituir tarifas globais anteriores. A decisão sobre a cumulatividade das tarifas, atingindo até 37,5%, pode colocar o Brasil como o segundo país mais afetado por tarifas do governo Trump, com uma tarifa média efetiva de 18,89%, atrás apenas da China. A instabilidade comercial gera incertezas para os fluxos de comércio e investimentos entre os dois países.