O dólar abriu esta sexta-feira (17) em alta de 0,25%, cotado a R$ 5,1109, enquanto o Ibovespa recuou 1,28% na véspera, fechando em 173.753 pontos. Essa dinâmica reflete a confirmação de novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros e a escalada de conflitos no Oriente Médio, adicionando incerteza aos mercados globais.
Tarifaço Americano e Resposta Brasileira
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) confirmou na quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com vigência a partir de 22 de julho. A medida, sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, alega que o Brasil "onera ou restringe" o comércio, citando práticas como o PIX, o acesso ao etanol e a pirataria. Itens considerados sensíveis para a economia americana, como petróleo, café e aeronaves, foram isentos. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou que as investigações da Seção 301 são unilaterais, sem justificativa, e que as taxas tiveram "motivação política" e "não têm lastro com a realidade". Em resposta, o presidente Lula anunciou o início dos trâmites da Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado, buscando novos mercados com apoio da Apex e BNDES.
Impacto no Mercado Acionário Brasileiro
O tarifaço já afetou o mercado de capitais, com o Ibovespa caindo 1,24% na quinta-feira (16). Analistas apontam siderurgia, metalurgia e bens industriais como os mais atingidos. A XP Investimentos vê impacto neutro para Embraer (EMBJ3) e Tupy (TUPY3), mas negativo para a WEG (WEGE3). Há risco de uma tarifa cumulativa de 12,5% por trabalho forçado, elevando a taxação efetiva para 37,5%. A WEG, com parte da produção no México, pode ter parcela de suas receitas na América do Norte impactada. Setores domésticos tendem a apresentar melhor desempenho relativo.
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Fonte: G1
Conflito no Oriente Médio Impulsiona Preços do Petróleo
O cenário geopolítico volátil no Oriente Médio agrava a incerteza. O Irã bombardeou bases dos EUA nesta sexta-feira (17), retaliando ataques americanos a alvos iranianos no Estreito de Ormuz. O Irã condenou os EUA e classificou o Estreito como "linha vermelha". O barril do Brent subiu 1,82% (US$ 85,76) e o WTI, 2,20% (US$ 80,69), refletindo temores sobre a oferta global de petróleo.
Mercados Globais em Retração
As bolsas asiáticas registraram quedas generalizadas. Os índices chineses CSI 300 e SSEC tiveram as maiores perdas semanais em mais de dois anos (3,60% e 3,05%), impactados por temores de liquidez pós-IPO. Hang Seng e Nikkei também caíram 1,78%. Essa interligação de políticas comerciais e instabilidade geopolítica fomenta cautela globalmente. Quais desdobramentos esperar para a economia mundial?
Em suma, a economia global enfrenta pressões múltiplas. As tarifas dos EUA sobre o Brasil e a escalada no Oriente Médio geram alta incerteza. O mercado monitora a evolução comercial e a estabilização geopolítica, fatores chave para o dólar, Ibovespa e preços de commodities.