Santander Projeta Cenário de Contrastes
O Santander, através de seus analistas, antecipa uma retração anual média consolidada de 10% na receita líquida, 23% no Ebitda e 20% no lucro líquido para o mercado em geral. No entanto, essa queda generalizada mascara um forte contraste setorial. O setor de petróleo e gás, em particular, deve liderar o bloco de commodities, com um salto médio de 33% no Ebitda na comparação anual. Isso ocorre mesmo com uma retração esperada de 11% nas receitas dessas empresas, impulsionado pela alta do barril de petróleo Brent, que se aproxima da faixa de US$ 87, e por uma boa execução operacional.
Em contrapartida, as companhias dependentes do ciclo doméstico devem apresentar quedas significativas: 10% nas receitas, 8% no Ebitda e 10% no lucro líquido, uma desaceleração evidente em relação ao primeiro trimestre. O banco menciona que a combinação de riscos fiscais elevados e dados recentes de inflação forçou uma reprecificação da curva de juros e um adiamento da perspectiva de queda da Selic. Este ambiente de juros reais persistentemente altos e condições de crédito mais restritas tem pesado sobre a atividade econômica.
"Os setores ligados a commodities serão destaque, enquanto as empresas de foco doméstico apresentarão uma clara desaceleração em seus balanços." - Analistas do Santander.
Entre as apostas positivas do Santander estão:
- Petrobras e Prio (pelo forte nível do Brent e execução operacional)
- Gerdau e Usiminas (siderurgia)
- Frasle Mobility, Multiplan, Smart Fit e TIM Brasil
Do lado negativo, o banco aponta Natura, Aura Minerals, Grupo Mateus, Marcopolo e Pague Menos como empresas que enfrentarão dificuldades, com destaque para a Natura, que deve ver queda projetada de 10% na receita e severa compressão de margens operacionais no Brasil.
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Fonte: Valor Econômico
Análise do HSBC e Ações Recomendadas
O HSBC corrobora a visão de uma temporada de balanços "mista", afirmando que as revisões de lucros perderam força ao longo do ano, com cortes nas estimativas superando as revisões positivas na maior parte dos setores. O rali das bolsas latino-americanas em 2026 foi, segundo o banco, mais impulsionado pelo ambiente macroeconômico do que por melhorias nas perspectivas de lucro das empresas. Neste cenário, a instituição destaca cinco ações preferidas para o período, sendo três brasileiras: Copel (CPLE6), Raia Drogasil (RADL3) e Telefônica Brasil (VIVT3).
As Apostas Brasileiras do HSBC:
- Copel (CPLE6): Considerada uma das maiores beneficiárias da alta dos preços da energia no país e da perspectiva de redução dos custos financeiros. A expectativa é de um Ebitda de R$ 1,63 bilhão no segundo trimestre, representando uma alta de 3% na comparação anual, impulsionado por preços de energia elevados na região Sul, disciplina na alocação de capital e venda de ativos.
- Raia Drogasil (RADL3): A companhia mantém uma visão positiva por ser considerada uma das histórias de crescimento mais consistentes do varejo brasileiro, com o setor farmacêutico sendo defensivo e impulsionado pelo envelhecimento da população e demanda resiliente por medicamentos. A expectativa é de crescimento de 18,5% da receita no segundo trimestre.
- Telefônica Brasil (VIVT3): O HSBC avalia que o mercado exagerou os temores em relação ao aumento da concorrência no segmento móvel. Reajustes de preços, expansão da fibra óptica e dos serviços B2B, além da redução de custos pela mudança de regime de concessão para autorização, devem sustentar o crescimento dos resultados. Para o 2T26, projeta-se alta de 6,7% na receita, crescimento de cerca de 13% do Ebitda e avanço de aproximadamente 39% no lucro líquido.
Fatores Macro Pesam no Desempenho Setorial
O cenário-base da temporada de resultados é delineado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, que elevaram o prêmio de risco e levaram o barril de petróleo Brent a se aproximar de US$ 87, beneficiando as produtoras. No mercado interno, a combinação de riscos fiscais elevados e dados recentes de inflação forçou uma reprecificação da curva de juros e um adiamento da perspectiva de queda na Selic. Esse ambiente de juros reais persistentemente altos e condições de crédito mais restritas tem pesado sobre a atividade econômica e, consequentemente, sobre o balanço de empresas sensíveis à taxa.
Apesar da retomada parcial do fluxo estrangeiro em julho e da expectativa de um corte de 25 pontos-base na Selic na próxima reunião do Banco Central, o crescimento mais fraco do crédito e a deterioração da qualidade dos ativos continuam pressionando os setores mais ligados à economia doméstica. Nesse contexto, a temporada de balanços tende a reforçar a seletividade entre os papéis, tornando crucial a capacidade das empresas de entregar resultados que superem as expectativas para sustentar o otimismo no mercado.
Como as empresas do mercado doméstico podem se adaptar a um cenário de juros altos e crédito restrito, enquanto as exportadoras de commodities desfrutam de um ambiente externo favorável? Acompanhar os próximos relatórios será fundamental para entender a resiliência e as estratégias de cada setor, além de projetar as tendências que moldarão o desempenho do mercado brasileiro nos próximos trimestres.