O impacto da geopolítica na Copa do Mundo de 2026
A Copa do Mundo de 2026, sediada pelos Estados Unidos, Canadá e México, iniciou suas atividades sob um cenário de intensas tensões políticas e críticas internacionais. O torneio, que deveria ser um símbolo de integração cultural, tornou-se palco de debates sobre o alinhamento da Fifa com as políticas migratórias e externas do governo norte-americano, levantando questionamentos sobre a neutralidade da entidade esportiva diante de conflitos globais.
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Fonte: O GLOBO
Restrições de entrada e o desafio logístico
Um dos pontos de maior controvérsia nesta edição diz respeito às políticas de imigração dos Estados Unidos. O país impôs restrições de entrada a cidadãos de nações como Irã, Senegal, Haiti e Costa do Marfim. Em um caso emblemático, a seleção iraniana enfrentou condições atípicas: a equipe foi obrigada a fixar sua base no México, viajando aos EUA apenas para a disputa das partidas, devido a entraves com a concessão de vistos e protocolos de segurança.
"A Fifa se vê incapaz de proteger seu torneio, a isonomia esportiva ou a dignidade dos participantes para conservar laços políticos e econômicos com Trump", aponta a análise do portal O GLOBO.
Conflitos armados e a participação internacional
Além das questões migratórias, a geopolítica do torneio é marcada pela presença de 13 países classificados que estão envolvidos em algum tipo de conflito armado. Entre eles, nações diretamente ligadas à guerra no Oriente Médio, como Estados Unidos, Irã, Catar, Iraque, Jordânia e Arábia Saudita, enfrentam desafios de segurança e diplomacia. A complexidade desse cenário gera preocupações sobre a segurança de torcedores e profissionais de imprensa, agravada pela sensação de vigilância constante em solo americano.
Dualidade de critérios na gestão da Fifa
Especialistas em geopolítica questionam a seletividade da Fifa, contrastando a exclusão rápida da Rússia em 2022 com a manutenção de participantes envolvidos em outros conflitos. A disparidade de tratamento reforça a percepção de que a entidade esportiva opera alinhada aos interesses hegemônicos das potências ocidentais.
- 38 países participantes colaboram com missões de paz da ONU.
- Gana lidera o envio de contingentes para missões de estabilização.
- Políticas migratórias dos EUA impactam o fluxo de torcedores e delegações.
À medida que o evento avança, o mundo observa se o futebol será capaz de superar as divisões políticas ou se o esporte permanecerá refém das agendas governamentais. A Copa de 2026 deixa em aberto o futuro do "soft power" esportivo, em um momento em que a ordem global enfrenta desafios de estabilidade sem precedentes.