Ana Clara Antero de Oliveira, de 21 anos, vítima de uma brutal tentativa de feminicídio em Quixeramobim, Ceará, em 1º de maio, compartilhou detalhes impactantes sobre o ataque em que teve as mãos decepadas pelo cunhado, Evangelista Rocha, a mando de seu então namorado, Ronivaldo Rocha. Em entrevistas, Ana Clara revelou ter se fingido de morta para sobreviver e expressou gratidão pela cirurgia que permitiu o reimplante de seus membros.
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Fonte: G1
O Ataque e a Reação
Em entrevista à TV Verdes Mares, Ana Clara relatou estar consciente durante todo o socorro. “Estava consciente o tempo todo. Eu não dormi, em nenhum momento eu dormi. Eu estava com muita dor, mas eu só vim dormir mesmo quando cheguei aqui no hospital e foi no processo da cirurgia, me sedaram”, detalhou a jovem. Ela também compartilhou que, após ser brutalmente atacada com uma foice, fingiu-se de morta para que o agressor cessasse os golpes.
Detalhes da Noite do Crime
A tentativa de feminicídio ocorreu após uma discussão entre Ana Clara e Ronivaldo. Segundo a vítima, a irritação do namorado começou quando ela expressou o desejo de voltar para casa, achando que já havia bebido demais. Câmeras de segurança registraram a discussão, e Ana Clara admitiu ter jogado uma pedra no carro de Ronivaldo durante a briga.
“No que eu abri, ele já pulou a janela e foi tacando… Tacou a foice, amputou minha mão. Foi tacando assim nos meus braços, nas minhas costas. Aí eu corri pro quarto. Tentei fechar a porta do quarto, mas não consegui. E ele começou a tacar [a foice], e eu me fiz de morta", relatou Ana Clara.
Recuperação e Reimplante
Após uma cirurgia de 12 horas, Ana Clara está em recuperação e já consegue movimentar os dedos gradualmente. Ela aprendeu a usar o celular com os pés para se comunicar e expressa gratidão pela equipe médica. “Meu medo era ficar sem as mãos”, relatou. A jovem está sendo acompanhada por uma equipe multidisciplinar, incluindo psicólogos e assistentes sociais.
Situação Legal dos Agressores
Os irmãos Evangelista e Ronivaldo Rocha foram presos e se tornaram réus por tentativa de feminicídio. O Ministério Público do Ceará (MPCE) pediu uma indenização de R$ 97 mil para a vítima. O pai dos agressores, Raimundo Nonato Acioli dos Santos, revelou à polícia o paradeiro dos filhos após o crime.
Repercussão e Apoio
Ana Clara expressou o desejo de ajudar outras mulheres vítimas de violência. “Eu escondi muitas vezes. Que as mulheres que hoje passam por isso saiam. Procurem uma ajuda psiquiátrica, psicológica. Eu vou estar aqui para ajudar. Eu sou um testemunho muito lindo e que quer levar isso em frente”, afirmou.
Qual o futuro para Ana Clara?
Apesar do trauma, a jovem demonstra resiliência e esperança. A recuperação é um processo contínuo, mas a equipe médica se mostra otimista quanto à sua capacidade de retomar as atividades diárias. A história de Ana Clara serve como um alerta sobre a violência contra a mulher e a importância de buscar ajuda.