Os principais tenistas, incluindo os números 1 do mundo, Jannik Sinner e Aryna Sabalenka, expressaram nesta segunda-feira "profunda decepção" com a premiação do Aberto da França. Eles também afirmam que outras demandas não foram atendidas pelos organizadores dos quatro torneios do Grand Slam, incluindo melhor representação, saúde e pensões. A insatisfação ocorre apesar do aumento geral de cerca de 10% na premiação total anunciado no mês passado, elevando o montante para 61,7 milhões de euros (US$ 72,1 milhões).
Fonte: AP News
Reivindicações dos Tenistas
Em comunicado, os tenistas alegam que a fatia da receita do torneio destinada a eles está diminuindo. "A parte dos jogadores na receita do torneio de Roland Garros diminuiu de 15,5% em 2024 para 14,9% projetados em 2026", afirmam. Eles destacam que, embora a receita de Roland Garros tenha gerado 395 milhões de euros em 2025 – um aumento de 14% em relação ao ano anterior – a premiação aumentou apenas 5,4%, reduzindo a parte dos jogadores na receita para 14,3%.
Comparativo com Outros Grand Slams
Os jogadores ressaltam que a porcentagem da premiação em relação à receita nos outros Grand Slams é maior. Para este ano, com estimativas de receita acima de 400 milhões de euros, a premiação provavelmente será inferior a 15% da receita, aquém dos 22% solicitados pelos atletas para equiparar os Grand Slams aos eventos combinados ATP e WTA 1000. Em contraste, o Australian Open aumentou a compensação dos jogadores em 16% este ano, e o US Open elevou sua premiação em 20% no ano passado.
Demandas Ignoradas
Além das questões financeiras, os tenistas também expressaram frustração com a falta de progresso em outras áreas. Em uma carta enviada há um ano aos chefes dos quatro Grand Slams, eles buscavam mais dinheiro e maior participação nas decisões que os afetam diretamente. No entanto, afirmam que não receberam resposta às suas propostas sobre bem-estar, incluindo pensões e saúde de longo prazo. Também alegam que não houve avanços em relação à representação justa e transparente dos jogadores na tomada de decisões do Grand Slam.
Críticas à Governança
Os jogadores criticam a falta de modernização na governança do tênis. "Enquanto outros grandes esportes internacionais estão modernizando a governança, alinhando as partes interessadas e construindo valor de longo prazo, os Grand Slams permanecem resistentes à mudança", diz o comunicado. A ausência de consulta aos jogadores e a contínua falta de investimento em seu bem-estar refletem um sistema que não representa adequadamente os interesses daqueles que são cruciais para o sucesso do esporte.
Possível 5º Grand Slam?
Em meio a essas discussões, Angelo Binaghi, chefe de tênis italiano, defende a criação de um quinto Grand Slam. Ele argumenta que as federações de tênis na Austrália, França, Inglaterra e América se beneficiam injustamente de sua relação histórica com o esporte, recebendo tratamento preferencial. Binaghi qualifica a situação como "escandalosa" e busca "explodir este monopólio", defendendo que a Itália sedie o novo torneio.
Próximos Passos
O Aberto da França de 2026, palco dessa controvérsia, terá início em 24 de maio. Resta saber se as críticas dos jogadores e as demandas por mudanças resultarão em alguma ação por parte dos organizadores dos Grand Slams, ou se a disputa continuará a impactar o mundo do tênis profissional.