O ministro Alexandre de Moraes suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria, que permite a redução de penas para condenados por atos antidemocráticos, até que o Supremo Tribunal Federal (STF) analise a constitucionalidade da norma. A decisão atende a ações que questionam a lei, sob o argumento de que ela viola princípios constitucionais e relativiza a importância do Estado Democrático de Direito. A medida impacta diretamente os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, que aguardam a decisão do STF para saber se poderão se beneficiar da redução de pena.
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Fonte: G1
Entenda a Lei da Dosimetria
A Lei da Dosimetria, aprovada pelo Congresso e posteriormente vetada pelo presidente Lula, foi promulgada após a derrubada do veto. Ela estabelece critérios específicos para a aplicação de penas em crimes contra a democracia, como a abolição violenta do Estado Democrático de Direito e o golpe de Estado. A norma determina que, se ambos os crimes forem cometidos no mesmo contexto, as penas não serão somadas, aplicando-se a pena do crime mais grave acrescida de um sexto até a metade. Essa mudança reduz o tempo de punição e pode ser aplicada retroativamente, beneficiando condenados que já cumprem pena.
Ações no STF e Argumentos
Até o momento, o STF recebeu quatro ações questionando a constitucionalidade da Lei da Dosimetria, movidas pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), pela federação PSOL-Rede, pelo PDT e pela federação PV-PT-PCdoB. As ações alegam que a lei viola princípios constitucionais, comprometendo a integridade do ordenamento jurídico e banalizando os ataques à democracia.
"A lei impugnada, da mesma forma, compromete a integridade do ordenamento jurídico, na medida em que banaliza os ataques à democracia e desorganiza o sistema penal e de execução da pena", diz a ABI.
As entidades argumentam que a lei relativiza a importância constitucional do Estado Democrático de Direito e reduz a capacidade dissuasória da Constituição, tornando menos custosa a tentativa de ruptura institucional. Pedem, portanto, a suspensão imediata da norma e, no julgamento final, a declaração de sua nulidade.
Próximos Passos no STF
O STF deve avaliar o pedido para suspender a lei até o julgamento do caso. Isso pode ocorrer por decisão individual do relator, referendada em julgamento virtual ou presencial, ou por análise direta no plenário. Posteriormente, o mérito do caso será julgado, com uma decisão sobre a compatibilidade da lei com a Constituição. A decisão final do STF definirá se a lei continuará em vigor ou será invalidada.
Impacto nos Condenados do 8 de Janeiro
Com a suspensão da aplicação da lei, os condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 terão que aguardar a decisão do STF para saber se poderão se beneficiar da redução de pena. O ministro Alexandre de Moraes já havia determinado a suspensão da aplicação da lei na execução da pena desses condenados, citando a pendência de análise da validade da norma pelo tribunal. A situação gerou debates sobre a aplicação do conceito de "crime de multidão" e a possibilidade de redução de pena para aqueles que, embora presentes nos atos, não exerceram papel de liderança ou financiamento.
PEC da Anistia e Outras Medidas
Em paralelo à discussão no STF, a oposição no Congresso Nacional articula uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que concederia perdão "amplo, geral e irrestrito" aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, a chamada "PEC da Anistia". Para ser aprovada, a PEC precisa passar por duas votações na Câmara dos Deputados e no Senado, com o apoio de 308 deputados e 49 senadores, respectivamente. Caso aprovada, a PEC também poderá ser questionada no STF.
Crime de Multidão: Quem Pode se Beneficiar?
A Lei nº 15.402/2026 introduziu o artigo 359-M-B no Código Penal, estabelecendo uma redução de pena obrigatória de 1/3 a 2/3 para crimes contra o Estado Democrático de Direito cometidos em contexto de multidão. Para ter direito à redução, o réu precisa atender a três requisitos: ter praticado o crime em um contexto de multidão, não ter exercido papel de liderança e não ter financiado as ações criminosas. A aplicação desse benefício está suspensa até a decisão do STF sobre a constitucionalidade da lei.
A discussão sobre a Lei da Dosimetria e a possibilidade de anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro levanta questões cruciais sobre o equilíbrio entre a punição de crimes contra a democracia e a busca por estabilidade política. A decisão do STF será fundamental para definir os rumos da aplicação da lei e seus impactos nos processos em andamento.