O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o julgamento sobre as regras de distribuição dos royalties do petróleo nesta quinta-feira (7), após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. A análise das seis ações que tratam da divisão dos recursos entre estados e municípios foi interrompida logo após o voto da ministra relatora, Cármen Lúcia, que se manifestou pela invalidade de trechos da lei que alterou a distribuição dos royalties, aprovada em 2012.
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Fonte: G1
Entenda a Discussão Sobre os Royalties
A lei de 2012, que está suspensa desde 2013 por uma liminar da ministra Cármen Lúcia, estabelecia uma distribuição mais igualitária dos royalties e participações especiais entre estados produtores e não produtores de petróleo. Essa mudança foi vetada na época pela então presidente Dilma Rousseff, mas o Congresso derrubou o veto, restabelecendo a lei. O Rio de Janeiro, um dos principais estados produtores, questiona a constitucionalidade da lei no STF.
Os royalties são uma compensação financeira paga pelas empresas petroleiras ao Estado brasileiro pelo direito de extrair petróleo e gás natural. Já as participações especiais são uma compensação adicional cobrada de campos com grande volume de produção ou alta rentabilidade. A questão central é se a lei de 2012 está de acordo com a Constituição Federal.
O Voto da Relatora e o Pedido de Vista
Cármen Lúcia, a relatora, argumentou que a questão não envolve aspectos políticos da decisão legislativa, mas sim a necessidade de garantir recursos a todas as entidades da federação. Ela destacou que, embora os danos ambientais devam ser suportados por todos, os prejuízos maiores e constantes se concentram nas regiões de exploração. Para a ministra, as normas questionadas desestabilizam o equilíbrio federativo.
"Nota-se que o recebimento dos valores pela União, estados e municípios contemplados pelas regras legislativas questionadas gera perda financeira juridicamente tutelada pela Constituição Federal àqueles que se põem como titulares do direito previsto na norma constitucional", afirmou Cármen Lúcia.
Após o voto da relatora, o ministro Flávio Dino solicitou mais tempo para analisar os pontos levantados, suspendendo o julgamento. Ainda não há data definida para a retomada da análise.
Impactos e Redistribuição dos Royalties
Uma eventual mudança na legislação teria impactos significativos, principalmente para estados como Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. Um estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) estima que o estado e seus municípios perderiam R$ 21 bilhões por ano em royalties e participações especiais se a lei de 2012 entrar em vigor.
Segundo as regras atuais, a União recebe cerca de 30% do total de royalties. Com a lei de 2012, esse percentual cairia para 20%. A parcela destinada a estados e municípios produtores diminuiria de 61% para 26%, após um período de transição de sete anos. Já o Fundo Especial, destinado a estados e municípios não produtores, aumentaria de 8,75% para 54%.
O Que Está em Jogo Para os Estados?
- Estados Produtores: Defendem a manutenção das regras atuais, argumentando que os royalties são uma compensação pelos impactos causados pela exploração do petróleo.
- Estados Não Produtores: Apoiam a lei de 2012, que reordena os critérios de distribuição de receitas de forma alinhada com os objetivos constitucionais de redução das desigualdades regionais.
Rio Grande do Sul na Disputa
O Rio Grande do Sul, junto a outros 20 estados e a Confederação Nacional de Municípios, defende a validação da lei de 2012. O procurador-geral do Estado, Eduardo Cunha da Costa, esteve no STF para argumentar que o petróleo e o gás natural são riquezas da nação, e não apenas dos estados confrontantes. Ele citou o exemplo de Maricá e São Gonçalo, no Rio de Janeiro, para ilustrar a disparidade na distribuição dos recursos.
Próximos Passos e Possíveis Desdobramentos
A suspensão do julgamento abre um período de incerteza sobre o futuro da distribuição dos royalties do petróleo no Brasil. A decisão final do STF terá um impacto significativo nas finanças dos estados e municípios, e pode influenciar a capacidade de investimento em áreas como saúde, educação e infraestrutura. O ministro Flávio Dino tem até 90 dias para devolver o caso ao plenário, e a expectativa é de que o julgamento seja retomado em breve.