PM Remove Estudantes da Reitoria da USP em Ação Noturna

A Polícia Militar (PM) removeu estudantes que ocupavam a Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) no campus Butantã, Zona Oeste de São Paulo, em uma operação na madrugada deste domingo (10), por volta das 4h15. A ação, que segundo relatos de alunos envolveu uso de escudos, cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, resultou em diversos feridos e quatro detenções, de acordo com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP. A reitoria da USP lamentou a ação da PM e que não houve comunicação prévia à entidade. A PM diz que não houve feridos e que eventuais excessos serão apurados.

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Fonte: G1

A Operação da Polícia Militar

Vídeos gravados pelos estudantes mostram policiais agredindo o grupo com cassetetes. A assessoria de imprensa do DCE-USP informou que vários estudantes ficaram feridos. A PM, por outro lado, afirma que a ação não teve feridos e que a desocupação foi filmada por câmeras operacionais portáteis dos policiais. A corporação também declarou que eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas.

Reivindicações e Início da Ocupação

Os estudantes ocupavam a reitoria desde quinta-feira (7), quando derrubaram o portão de acesso e portas de vidro. A ocupação foi motivada pela greve nas universidades estaduais paulistas (USP, Unicamp e Unesp) e visava pressionar a reitoria a retomar as negociações e atender às demandas por melhorias nas políticas de permanência estudantil, como aumento de bolsas, reforma das moradias universitárias e manutenção da estrutura física dos campi. No dia 15 de abril, alunos relataram ter encontrado um ninho de pombo dentro da cozinha do Conjunto Residencial da USP (Crusp).

O que diz a Reitoria da USP

A Reitoria da USP lamentou a desocupação sem comunicação prévia e os episódios de violência. Em nota, a universidade declarou que repudia a violência como substituta do diálogo e reforçou seu compromisso de buscar a pacificação do ambiente universitário. A reitoria informou que comunicou a ocupação à Secretaria de Segurança Pública (SSP) no mesmo dia em que ocorreu, visando à adoção de protocolos de proteção e preservação da ordem.

Danos ao Patrimônio Público e Apreensões

Segundo a polícia, uma vistoria no local após a desocupação constatou danos ao patrimônio público, incluindo a derrubada do portão de acesso, portas de vidro quebradas, carteiras escolares danificadas e mesas avariadas. Além disso, foram apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes, como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes.

Posicionamento do DCE-USP

Em comunicado, o DCE-USP classificou a ação como abusiva e ilegal, alegando que ocorreu sem qualquer determinação judicial e que os PMs formaram um “corredor polonês para espancamento”. O DCE questionou a motivação para a detenção dos estudantes, afirmando que a ocupação já durava mais de 60 horas sem sinais de violência ou ameaça.

Repercussão e Próximos Passos

A ação da PM gerou diversas reações na comunidade acadêmica. O Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da USP divulgou nota repudiando a ação policial, chamando-a de “atentado ao estado de direito” e questionando as razões da intervenção sem ordem judicial. Outros institutos, como a Faculdade de Saúde Pública, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e o Instituto de Psicologia, também manifestaram apoio aos estudantes e repúdio à ação policial. Os manifestantes planejam se reunir para decidir as próximas ações.

O que diz o Reitor

O reitor da USP, Aluisio Augusto Cotrim Segurado, afirmou que a invasão da reitoria foi um ato de violência e agressão a um patrimônio público e que a universidade está sofrendo prejuízos com a interrupção de várias de suas atividades essenciais. Ele também mencionou que a USP investe mais de R$ 460 milhões por ano em programas de apoio à permanência estudantil, o maior do Brasil.

Considerações Finais

A desocupação da Reitoria da USP reacende o debate sobre os limites da atuação policial em universidades e a importância do diálogo entre a administração e os estudantes. Enquanto a reitoria lamenta a violência e busca a pacificação do ambiente universitário, os estudantes prometem continuar a luta por suas reivindicações, questionando a forma como a questão foi conduzida. Resta aguardar os desdobramentos e a busca por soluções que atendam aos interesses de todos os envolvidos.

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