O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, refutou a existência de rivalidade entre o sistema de pagamentos instantâneos Pix e os cartões de crédito, argumentando que o Pix, na verdade, ampliou o acesso da população a serviços financeiros e impulsionou o uso do cartão de crédito. A declaração foi feita durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal nesta terça-feira (19/05/2026).
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/N/F/k8KZo1SSSVfm3AsG1SBw/fta20230509164.jpg)
Fonte: G1
Bancarização e Crescimento do Crédito
Galípolo enfatizou que o Pix desempenhou um papel crucial na inclusão financeira de milhões de brasileiros que antes estavam marginalizados do sistema bancário tradicional. Com a facilidade de acesso proporcionada pelo Pix, um número maior de pessoas passou a ter contas bancárias e, consequentemente, acesso a produtos como cartões de crédito e empréstimos.
“O Pix incluiu pessoas que estavam à margem do sistema, que passaram a ter cartão de crédito. Pessoas imaginam que tem rivalidade entre o PIX e o cartão de crédito, mas a gente observa que não, que o cartão de crédito cresceu com a bancarização”, declarou Galípolo.
Críticas e Defesa do Pix
A defesa do Pix ocorre em um contexto de críticas, especialmente por parte do governo dos Estados Unidos. Em julho de 2025, durante a administração de Donald Trump, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos foi alvo de uma investigação comercial, sob a alegação de que o governo brasileiro estaria favorecendo o sistema em detrimento de empresas americanas.
Um relatório da Casa Branca, divulgado em abril deste ano, reiterou as preocupações de empresas como Visa e Mastercard em relação ao crescimento do Pix no Brasil. O governo americano argumenta que o Banco Central, ao criar e regular o Pix, poderia estar concedendo um tratamento preferencial ao sistema, prejudicando a concorrência leal no mercado de pagamentos eletrônicos. Será que essa preocupação é realmente justificada?
Desafios Internos do Banco Central
Além das questões externas, Galípolo também abordou os desafios internos enfrentados pelo Banco Central, como a perda de servidores, a restrição orçamentária e as dificuldades para investir em tecnologia. Ele alertou que essa situação pode comprometer a capacidade de supervisão do sistema financeiro. Atualmente, o BC regula cerca de 1,8 mil instituições, incluindo bancos, fintechs e cooperativas. Galípolo mencionou que o BC tem enfrentado dificuldades para investir em tecnologias, incluindo sistemas de Inteligência Artificial (IA), que são cruciais para a supervisão financeira.
Segurança do Pix
Em relação à segurança do Pix, Galípolo esclareceu que os ataques cibernéticos recentes atingiram participantes do sistema, principalmente instituições menores, e não a infraestrutura central operada pelo Banco Central. Ele ressaltou que o BC tem implementado sistemas de inteligência para detectar movimentações atípicas e evitar fraudes. Os primeiros ataques registrados tiveram como alvo instituições que dependiam de Prestadores de Serviço de Tecnologia da Informação (PSTIs) para acessar os sistemas do BC.
O Futuro do Pix e do Sistema Financeiro
Apesar dos desafios e críticas, o Pix continua a se consolidar como um dos principais meios de pagamento no Brasil, impulsionando a inclusão financeira e transformando o cenário bancário. O Banco Central segue trabalhando para aprimorar a segurança e a eficiência do sistema, buscando garantir que ele continue a beneficiar a população brasileira. O futuro do Pix dependerá da capacidade do BC de superar os desafios internos e externos, e de continuar inovando para atender às necessidades de um mercado financeiro em constante evolução. O sistema de pagamentos instantâneos, mantido pela "devoção" dos servidores do BC, como ressaltou Galípolo, é um pilar fundamental para a modernização do sistema financeiro brasileiro.