A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (15), a Operação Sem Refino, mirando o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o empresário Ricardo Magro, proprietário do Grupo Refit e da Refinaria de Manguinhos. A ação investiga um esquema de sonegação de impostos e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, com um bloqueio de ativos financeiros que pode chegar a R$ 52 bilhões.
Fonte: G1
Quem é Ricardo Magro?
Ricardo Magro, de 51 anos, é advogado e empresário, conhecido por comandar o Grupo Refit, que inclui a Refinaria de Manguinhos. Apontado como o maior devedor de ICMS em São Paulo e um dos maiores do Rio de Janeiro e da União, Magro reside em Miami desde 2016 e tem um histórico de disputas com órgãos de fiscalização e distribuidoras. Formado em Direito pela Universidade Paulista (Unip) com pós-graduação em direito tributário, Magro alega ser alvo de perseguição por grandes empresas do setor, o que ele nega.
Operação Sem Refino: Detalhes e Mandados
A Operação Sem Refino cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública em estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. A PF investiga a suspeita de que o grupo Refit utilizava uma estrutura societária e financeira complexa para a ocultação de patrimônio, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior. Um desembargador do Tribunal de Justiça do Rio também foi afastado por determinação do STF devido a conexões com a ADPF das Favelas.
Refit e as Acusações
A Refit, sob o comando de Magro, já foi alvo de diversas investigações, incluindo a Operação Carbono Oculto, que apurou a presença do PCC no mercado de combustíveis. A empresa também enfrentou interdições da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que questionou suas atividades de refino. A ANP suspeitava que a Refit importava combustíveis já prontos, em vez de refinar o petróleo como deveria. Em 2024, o Ministério Público de São Paulo apontou a Refit como envolvida em esquemas de sonegação e adulteração de combustíveis. O empresário nega as acusações e afirma ter colaborado com as autoridades para denunciar práticas criminosas no setor, o que, segundo ele, o tornou alvo de ameaças.
Cláudio Castro e a Investigação
O ex-governador Cláudio Castro também é alvo da operação, que investiga possíveis fraudes fiscais e inconsistências relacionadas à operação da refinaria. A Justiça determinou a inclusão do nome de Ricardo Magro na lista vermelha da Interpol. O advogado de Castro, Carlo Luchione, informou que ainda não tem conhecimento da motivação da operação.
Desdobramentos e Impacto
A Operação Sem Refino representa um novo capítulo nas investigações sobre o mercado de combustíveis no Brasil e suas conexões com crimes financeiros. As autoridades buscam esclarecer o papel do Grupo Refit e de seus dirigentes, assim como a possível participação de agentes públicos no esquema. Os desdobramentos da operação poderão ter um impacto significativo no setor e nas futuras eleições, dada a influência política dos envolvidos. Qual será o futuro da Refinaria de Manguinhos?