O dólar registrou forte alta nesta quarta-feira (13/05/2026), superando a marca de R$ 5,00, influenciado por fatores externos como a inflação nos EUA e tensões geopolíticas no Oriente Médio, além de repercussões de notícias internas sobre supostas ligações entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro. O movimento ocorre em um cenário de volatilidade nos mercados globais, com investidores atentos aos desdobramentos da guerra no Irã e às decisões de política monetária nos Estados Unidos.

Fonte: InfoMoney
Impacto da Política Interna no Câmbio
A recente reportagem do Intercept Brasil, que levanta suspeitas sobre as relações entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, adicionou pressão sobre o real. Segundo Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, “isso impacta na interpretação do mercado das chances do Flávio nas eleições, mexendo com a bolsa, com curva de juros e com expectativas eleitorais.” A incerteza política interna, portanto, contribuiu para a desvalorização da moeda brasileira.
Cenário Internacional e Inflação nos EUA
Nos Estados Unidos, dados recentes de inflação acima do esperado reforçaram a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) manterá as taxas de juros elevadas por mais tempo. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA registrou um avanço de 0,6% em abril, impulsionado pelos custos mais altos de alimentos e energia, estes últimos afetados pela guerra no Irã. A alta da inflação americana, combinada com as tensões geopolíticas, impulsionou o índice do dólar americano, que mede o desempenho da moeda em relação a outras divisas importantes, para o seu nível mais alto desde 5 de maio.
Desempenho do Dólar e Ibovespa
Às 15h45, o dólar à vista subia 2%, cotado a R$ 4,993 na venda. No mercado futuro, o contrato para junho avançava 0,21%, aos R$4,9240. Na terça-feira, a moeda norte-americana havia fechado com leve alta de 0,08%, aos R$4,8949. Em contrapartida, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o dia em queda de 0,86%, aos 180.342 pontos.
Petróleo e a Guerra no Irã
A escalada da guerra no Irã tem gerado apreensão nos mercados globais, impactando diretamente o preço do petróleo. O barril do Brent, referência internacional, ultrapassou os US$ 107, com o temor de interrupções no Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte global de petróleo e gás. A tensão elevou os preços da gasolina, diesel e querosene de aviação, afetando a inflação nos EUA e gerando incertezas sobre o futuro da economia global. Como a situação no Oriente Médio continuará a influenciar os mercados financeiros?
Repercussão no Brasil
No Brasil, a inflação oficial medida pelo IPCA desacelerou em abril, ficando em 0,67%. No entanto, os alimentos continuam sendo a principal pressão sobre os preços, impactando o poder de compra dos consumidores. A Petrobras, por sua vez, reportou um lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre, impulsionado pela alta do petróleo. A estatal aprovou o pagamento de R$ 9 bilhões em dividendos aos acionistas, o equivalente a R$ 0,70 por ação.
Em resumo, o dia foi marcado por alta do dólar, queda do Ibovespa e instabilidade nos mercados globais, com a guerra no Irã e a inflação nos EUA ditando o ritmo dos negócios. A política interna brasileira também contribuiu para a volatilidade, com investidores atentos aos próximos desdobramentos do cenário político e econômico.