Crime Organizado Controla Cabedelo (PB) à Distância e Aterroriza Moradores

A cidade turística de Cabedelo, na Paraíba, está sob o domínio de uma facção criminosa que opera à distância, diretamente do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. A situação alarmante, revelada por investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, expõe como o crime organizado se infiltrou na gestão pública e impõe um regime de terror aos moradores, monitorados 24 horas por câmeras clandestinas.

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Fonte: G1

O 'Home Office' do Crime

Integrantes do Comando Vermelho (CV) monitoram a rotina de Cabedelo a partir do Rio de Janeiro, em um esquema que a polícia define como "home office do crime organizado". Áudios obtidos revelam a existência de uma rede com 30 câmeras espalhadas pela cidade, permitindo vigilância constante. Um dos criminosos, em vídeo, demonstra a tranquilidade com que acompanha a movimentação: “Oi, família. Minha visão de cria aqui. Só paz e tranquilidade”.

A Liderança à Distância de Fatoka

As investigações apontam para Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoka, como o líder por trás desse esquema. Com 43 anos e histórico em facções criminosas na Paraíba, Fatoka, que está foragido no Complexo do Alemão, dita as ordens e planeja a expansão do grupo para outros bairros, como o Bessa, em João Pessoa. O termo “ponteamento”, usado por ele, significa mapear o território e eliminar rivais.

Moradores Reféns do Medo

A presença da facção é marcada por pichações com as siglas do CV e o nome de Fatoka, intimidando os moradores. Grupos armados circulam pelas ruas, efetuando disparos para o alto e reforçando o domínio territorial. Câmeras clandestinas, chamadas de “besouros”, são usadas para monitorar a população. Em setembro de 2024, um morador teve o carro atingido por tiros e fez um apelo desesperado por segurança.

Infiltração na Prefeitura

O esquema criminoso se estende à prefeitura de Cabedelo, com suspeitas de infiltração em cargos públicos, “rachadinhas” e desvio de recursos por meio da empresa Lemon Terceirização e Serviços Ltda. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 270 milhões. A empresa teria sido usada para empregar parentes e aliados da facção, além de manter funcionários fantasmas. Ariadna Cordeiro Barbosa, gerente financeira da facção, confirmou em depoimento que as contratações eram garantidas mediante indicação de Fatoka.

Reação da Polícia Militar

A Polícia Militar tem realizado operações frequentes para localizar e remover as câmeras clandestinas. O tenente-coronel Luiz Antônio explica que os criminosos disfarçam os equipamentos em postes, árvores e canos metálicos. A ex-comandante do 21º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Viviane, relatou que quase 300 armas foram apreendidas em Cabedelo entre 2024 e 2025.

O Que Esperar?

Com a anulação do contrato com a Lemon e a intensificação das operações policiais, a expectativa é de que a situação em Cabedelo comece a se normalizar. No entanto, o desafio é grande, considerando a infiltração do crime em diversas esferas da sociedade. A população local espera que as investigações avancem e que os responsáveis sejam punidos, para que a cidade possa retomar a normalidade e o turismo volte a prosperar. Será que Cabedelo conseguirá se libertar do jugo do crime organizado e recuperar sua tranquilidade?

Enquanto isso, Fatoka permanece foragido no Complexo do Alemão, monitorando Cabedelo e demonstrando o poder de influência da facção: “Vou ser bem sincero pra tu: lá nas áreas, só cai uma folha se eu disser que sim”. A defesa de Fatoka nega as acusações e afirma que não há provas que o vinculem aos fatos narrados.

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