Presídio na Bahia: Traficantes tinham chaves de celas e até velório

Uma investigação sobre uma fuga em massa no Conjunto Penal de Eunápolis, Bahia, revelou que traficantes desfrutavam de regalias extremas, incluindo acesso às chaves das próprias celas e a organização de um velório dentro do presídio. As informações vieram à tona na ação penal que apura a ligação entre políticos baianos e membros do PCE (Primeiro Comando de Eunápolis), facção ligada ao Comando Vermelho. O ex-deputado federal Uldurico Júnior foi preso sob suspeita de facilitar a fuga em troca de R$ 2 milhões. A ex-diretora do presídio, Joneuma Silva Neres, nomeada por Uldurico, também está implicada.

Regalias e controle dentro do presídio

Joneuma Silva Neres, que dirigiu o Conjunto Penal de Eunápolis de março a dezembro de 2024, é acusada de adotar medidas que beneficiaram os membros do PCE. Os presos tinham acesso a eletrodomésticos, refeições diferenciadas, equipamentos sonoros e visitas íntimas nos pavilhões. Mais surpreendente, eles circulavam livremente pelo presídio e possuíam as chaves de suas próprias celas.

Velório inusitado dentro da prisão

Em um dos episódios mais chocantes, a diretora autorizou a realização do velório da avó de Sirlon Risério da Silva, um dos líderes do tráfico, dentro da unidade prisional. O corpo foi levado em cortejo até o presídio, onde foi velado pelo preso e seus familiares. Em depoimento, Joneuma justificou a decisão como um ato humanitário.

A Fuga e a Operação Duas Rosas

A fuga de 16 presos em dezembro de 2024, facilitada pela escavação do teto das celas com uma furadeira, intensificou as investigações. A ex-diretora admitiu ter conhecimento do plano. Após a fuga, Ednaldo Pereira de Souza, o Dada, líder do PCE, foi localizado no Rio de Janeiro, levando à Operação Duas Rosas. Dada conseguiu escapar da polícia, mas a operação revelou um esquema de propinas, onde “rosa” era o termo codificado para dinheiro.

Ligação política e acusações

Uldurico Júnior, suspeito de negociar a fuga, teria se reunido diversas vezes com Dada dentro do presídio. Joneuma relatou que o ex-deputado solicitava a retirada das algemas dos detentos durante esses encontros. As investigações apontam para um esquema de corrupção que envolveria até mesmo o ex-ministro Geddel Vieira Lima, que nega qualquer envolvimento. Uldurico teria dito que parte do dinheiro da fuga seria destinada a Geddel.

Mudanças na administração prisional

Em meio às investigações, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) exonerou Sergio Vinicius Tanure dos Santos do cargo de diretor-adjunto do Conjunto Penal de Eunápolis. Ernani Pereira Silva foi nomeado para o substituir. As mudanças na Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap) visam reestruturar a administração e apurar as responsabilidades na série de irregularidades.

O que dizem os envolvidos?

A defesa de Uldurico alega que as acusações são infundadas e fruto de perseguição política. Geddel Vieira Lima nega veementemente qualquer envolvimento, afirmando que Uldurico usou seu nome indevidamente para acalmar Joneuma. A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) informou que está colaborando com as investigações.

Qual o futuro das investigações?

Com a colaboração premiada de Joneuma Neres e as investigações em andamento, as autoridades buscam esclarecer todos os detalhes do esquema de corrupção e as responsabilidades pela fuga e pelas regalias concedidas aos traficantes dentro do Conjunto Penal de Eunápolis. O caso levanta sérias questões sobre a segurança e a administração do sistema prisional na Bahia, exigindo medidas urgentes para evitar que situações como essa se repitam.

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