O Palácio do Planalto intensificou suas articulações para garantir a aprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) ainda no primeiro semestre, buscando evitar que o processo seja contaminado pelo calendário eleitoral de outubro. A estratégia visa minimizar a influência de um possível aumento da bancada de direita no Senado, impulsionada por discursos anti-STF, que poderia prejudicar a indicação do advogado-geral da União (AGU).
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Fonte: O GLOBO
A Preocupação com o Cenário Eleitoral
A proximidade das eleições é vista como um fator de risco, pois a renovação de ⅔ do Senado pode fortalecer o discurso crítico ao STF. Segundo fontes, alguns senadores temem que votar a favor de Messias às vésperas do pleito possa ser politicamente custoso. Afinal, como sustentar um voto favorável a um nome indicado pelo presidente Lula se estão em campanha com discurso crítico ao STF?
Articulação do Planalto e Apoio Evangélico
Apesar dos desafios, o Planalto tem buscado apoio em diferentes frentes. A articulação em torno da candidatura de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ao governo de Minas Gerais ajudou a reduzir a resistência no Senado. Além disso, o ministro André Mendonça, do STF, tem conversado com parlamentares da bancada da direita, especialmente os evangélicos, para angariar votos para Messias.
“Os evangélicos possuem um espírito de corpo muito grande. Um evangélico genuíno não dá voto contra o Messias”, afirmou um senador da base do governo Lula.
Messias, que é diácono da Igreja Batista Cristã de Brasília, tem no apoio evangélico um trunfo importante. Um estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) aponta que a bancada evangélica no Senado quase dobrou entre 2018 e 2022, alcançando 13 senadores.
Resistências e Desafios
Ainda assim, Messias enfrenta a resistência de parlamentares que o consideram um quadro ideológico do PT e homem de confiança de Lula e Dilma Rousseff. Para ser confirmado, ele precisa de pelo menos 41 dos 81 votos no Senado. O histórico do Senado, que não rejeita uma indicação de ministro do Supremo desde 1894, pesa a favor de Messias, porém o Palácio do Planalto está atento, pois o placar apertado da recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, acendeu o sinal de alerta.
Alcolumbre e o Mal-Estar com o Planalto
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), demonstrou contrariedade com a forma como o Planalto conduziu o processo de indicação. Segundo o Estadão, Alcolumbre ficou incomodado com o anúncio feito por Lula em reunião ministerial, antes de combinar o jogo com ele. Essa situação gerou um novo mal-estar entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Congresso, levantando dúvidas sobre o andamento da análise da indicação de Messias.
A Prerrogativa de Pauta e o Risco de Rejeição
Cabe a Alcolumbre a prerrogativa de pautar a votação da indicação, que é secreta. Fontes indicam que Alcolumbre considera que a indicação de Messias corre risco de ser rejeitada, mencionando a atuação do senador Flávio Bolsonaro na organização da oposição. Apesar das tensões, aliados de Lula se movimentam para convencer Alcolumbre a dar andamento ao processo, buscando destravar a mensagem para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O argumento é que destravar o processo contribuirá para melhorar a relação entre Lula e Alcolumbre, desgastada desde o fim do ano passado.
Otimismo e Fé em Meio à Articulação
Enquanto as articulações políticas se intensificam, Messias tem demonstrado otimismo e fé. Em nota, afirmou que continuará sua jornada no Senado “com humildade e fé” e que sempre valorizou o diálogo e a conciliação. A interlocutores, Messias tem recorrido à fé, afirmando que “para Deus, nada é impossível”. Será que a fé e a articulação do Planalto serão suficientes para garantir a aprovação de Messias no STF antes da contaminação eleitoral?