Os contratos futuros de petróleo registraram uma forte queda nesta sexta-feira, impulsionados pela reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã e pelo crescente otimismo dos investidores em relação ao possível fim do conflito entre os Estados Unidos e o Irã. A reabertura do Estreito de Ormuz foi anunciada durante o período de cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Líbano. Mas qual o impacto dessa decisão nos mercados globais?
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Fonte: Valor Econômico
Impacto nos Preços do Petróleo
No fechamento, o petróleo tipo Brent, referência mundial com vencimento em junho, apresentou uma queda expressiva de 9,06%, cotado a US$ 90,38 por barril na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI, referência americana com entrega prevista para maio, registrou uma queda ainda maior, de 11,45%, atingindo US$ 83,85 por barril na New York Mercantile Exchange (Nymex). No acumulado da semana, ambos os contratos sofreram perdas de 5,06% e 13,17%, respectivamente.
Reação do Mercado Financeiro
A reabertura do Estreito de Ormuz desencadeou uma reação imediata no mercado financeiro global. As bolsas internacionais, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, exibiram um forte avanço, enquanto os ativos relacionados à energia experimentaram quedas acentuadas. Os principais índices de Nova York operaram em alta, com o Dow Jones subindo 2%, o S&P 500 com um acréscimo de 1,17% e o Nasdaq ganhando 1,35%.
O que dizem as autoridades?
Apesar da reabertura, o bloqueio naval americano a navios do Irã permanece em vigor, restringindo parte do tráfego na região. Segundo a mídia iraniana, o regime estaria considerando violar o cessar-fogo e fechar novamente o Estreito de Ormuz caso o bloqueio naval americano persista, indicando uma certa instabilidade na situação. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em suas redes sociais que o bloqueio naval no Irã permanecerá em vigor até que as negociações de paz estejam totalmente concluídas. "Esse processo deve avançar muito rapidamente, uma vez que a maioria dos pontos já foi negociada", afirmou Trump.
Como o bloqueio afetou os mercados?
Durante o conflito, o fechamento do Estreito de Ormuz e sua potencial reabertura foram fatores determinantes para os altos e baixos dos principais ativos do mercado. Os preços dos contratos de petróleo atingiram seu ponto mais alto em 9 de março, chegando a US$ 119 para o Brent, quando os países árabes do Golfo reduziram a produção em resposta ao fechamento do Estreito de Ormuz por ameaças iranianas. Os futuros do Brent também apresentaram alta forte com ganho mensal recorde em 31 de março.
Impacto no Brasil: Ibovespa e Dólar
Enquanto outros índices mundiais enfrentavam dificuldades devido ao conflito, o Ibovespa renovou recordes históricos e se aproximou dos 200 mil pontos nesta semana. O índice teve seu pior desempenho em 3 de março, com uma queda de 3,28%, atingindo 183.105 pontos. No entanto, em 31 de março, impulsionado por sinais de um possível fim da guerra, o Ibovespa registrou uma alta de 2,71%, alcançando 187.461,84 pontos, um ganho de 4.947,64 pontos.
O dólar também apresentou volatilidade durante o período do conflito. Em 3 de março, a moeda subiu 2,05%, atingindo R$ 5,27. A maior cotação do dólar durante a guerra foi registrada em 13 de março, a R$ 5,32. Já o menor valor de fechamento ocorreu em 13 de abril, com as notícias sobre as negociações entre os EUA e o Irã, a R$ 4,98. O dia de maior perda da moeda foi em 31 de março, quando o dólar desvalorizou 1,35% em relação ao real, cotado a R$ 5,18.
Conclusão
A reabertura do Estreito de Ormuz representa um marco importante no cenário geopolítico e econômico global. A queda nos preços do petróleo e a reação positiva dos mercados financeiros refletem o otimismo em relação ao possível fim do conflito entre os Estados Unidos e o Irã. No entanto, a situação ainda é instável, com o bloqueio naval americano em vigor e a possibilidade de o Irã fechar novamente o estreito caso o bloqueio persista. O desfecho dessas negociações de paz terá um impacto significativo nos mercados globais e na economia mundial.