Após um período de volatilidade impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e flutuações nos preços do petróleo, analistas do Bradesco BBI e Bank of America (BofA) revisaram suas perspectivas para as ações da Petrobras (PETR4) e de outras empresas do setor. As avaliações consideram um cenário de preços de petróleo mais elevados e os possíveis impactos das eleições presidenciais de 2026.

Fonte: InfoMoney
Recomendações e Preços-Alvo do BBI
O Bradesco BBI elevou os preços-alvo de diversas empresas de exploração e produção (E&P) na América Latina, incluindo a Petrobras, após revisar para cima suas estimativas para o preço do petróleo. A nova curva de preços do Brent considera US$ 85 por barril em 2026, US$ 80 em 2027 e US$ 70 no longo prazo. Apesar disso, o banco manteve a recomendação neutra para a Petrobras, elevando o preço-alvo para R$ 50 por ação.
Segundo o relatório do BBI, a Petrobras se destaca pela proteção contra a volatilidade do petróleo via política de preços domésticos e por um “sweet spot” do Brent entre US$ 80 e US$ 90, que favorece a geração de caixa sem intensificar ruídos políticos.
Além da Petrobras, a PRIO (PRIO3) teve o preço-alvo elevado para R$ 69, mas também manteve recomendação neutra. Já a Brava Energia (BRAV3) teve o preço-alvo elevado para R$ 27, impulsionado por uma expectativa de forte aumento do Ebitda em 2027.
BofA Eleva Petrobras para Compra
Em uma visão mais otimista, o Bank of America elevou a recomendação das ações da Petrobras de neutra para compra, aumentando o preço-alvo de R$ 49 para R$ 65, o que representa um potencial de valorização de 33,7%. A revisão considera preços mais elevados do barril do petróleo, com o BofA prevendo o Brent a US$ 93 o barril em 2026, US$ 78 o barril em 2027 e um novo preço de longo prazo de US$ 75 por barril.
Os analistas do BofA também veem as eleições presidenciais deste ano como um gatilho para as ações da Petrobras. Eles estimam que o rendimento de FCFE (fluxo de caixa livre do acionista) da Petrobras alcance 18% e 16% em 2026 e 2027, respectivamente.
Cenário para Dividendos da Petrobras
Especialistas consultados pelo E-Investidor indicam que a perspectiva para os dividendos da Petrobras é favorável, com projeções de dividendos maiores do que em 2025. Caso o preço médio do petróleo fique em torno de US$ 90, a Petrobras teria capacidade de entregar um dividend yield entre 10% e 12%. Para dividendos mais robustos, o petróleo médio em 2026 precisaria ficar na faixa em torno de US$ 110 e US$ 120.
A política de preços dos combustíveis e a alocação de capital em projetos menos rentáveis são fatores que podem influenciar a distribuição de dividendos. Além disso, o câmbio afeta a receita como resultado financeiro, dado que a companhia exporta em dólar, mas tem custos e endividamento parcial em reais.Quais os riscos e o que esperar?
Apesar das perspectivas positivas, os analistas alertam para os riscos associados à política de preços de combustíveis e a decisões de alocação de capital da Petrobras. Tensões geopolíticas e a volatilidade dos preços do petróleo também são fatores a serem monitorados. No entanto, o Bank of America destaca que a Petrobras fez progressos relevantes tanto na execução operacional quanto na governança corporativa nos últimos anos.
Com o barril de petróleo em alta e a proximidade das eleições, a Petrobras permanece no centro das atenções do mercado financeiro, com potencial tanto para valorização quanto para riscos a serem considerados.