O influenciador Breno Vieira Faria, conhecido pelo projeto 'Café com Teu Pai' e servidor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), está sob investigação por suposta violação das normas da corporação e disseminação de conteúdo misógino. As denúncias, formalizadas no Ministério Público Federal (MPF) e na Corregedoria da PRF, acusam Faria de explorar comercialmente sua imagem nas redes sociais e promover discursos discriminatórios contra mulheres. O caso ganhou notoriedade após reportagens do Núcleo Jornalismo e da revista VEJA.

Fonte: Núcleo Jornalismo
Acusações e Investigação
A deputada estadual de São Paulo, Ediane Maria (PSOL), foi uma das responsáveis por formalizar os pedidos de investigação. Ela argumenta que Breno Faria, ao manter uma carreira ativa como influenciador digital, infringe normas da PRF que proíbem servidores de se dedicarem a outras atividades comerciais. Além disso, a deputada questiona o conteúdo dos vídeos e cursos oferecidos por Faria, que, segundo ela, promovem a desigualdade de gênero e a discriminação contra as mulheres.
A PRF exige dedicação integral e exclusiva de seus agentes, proibindo o uso de redes sociais para fins de monetização, comércio de produtos ou disseminação de discursos discriminatórios. A Instrução Normativa nº 121, de 20 de dezembro de 2023, reforça essa proibição. A assessoria da Polícia Rodoviária Federal no Rio de Janeiro informou que encaminhou a denúncia à corregedoria da corporação.
O Que Diz o Influenciador?
Em entrevista à VEJA, Breno Faria negou ser machista e afirmou que seu objetivo é "ajudar mulheres" com seu conteúdo. Ele também minimizou as acusações de exploração comercial, alegando que sua atividade como influenciador não interfere em suas funções na PRF. Na entrevista, Faria disse:
"Não me considero machista. Eu falo de masculinidade e confundem isso. Nunca disse que a mulher não pode trabalhar, que tem que viver pro lar. Apenas acredito que a realização feminina está em cuidar e embelezar o lugar. Tenho convicção que o dom da maternidade traz mais da realização do que um carreira".
A 'Machosfera' e a Criminalização da Misoginia
O caso de Breno Faria reacende o debate sobre a disseminação de discursos misóginos e a responsabilização dos influenciadores digitais. Pesquisadores apontam que, mesmo não se identificando como red pill, Faria se conecta à 'machosfera' ao reproduzir discursos que incentivam a desigualdade de gênero. Bruna Camilo, doutora e pesquisadora em gênero e misoginia, alerta para a sutileza do discurso de Faria, que, segundo ela, monetiza a misoginia por meio de um verniz de acolhimento.
A criminalização da misoginia, em discussão no Congresso Nacional, é vista como um passo importante, mas não suficiente, para combater o problema. Fábio Mariano, pesquisador, defende que a questão deve ser abordada também sob uma perspectiva pedagógica, com o objetivo de educar homens e meninos sobre a importância da igualdade de gênero. O próprio Breno Faria criticou o projeto de lei, alegando que ele representa uma ameaça à liberdade de expressão.
Atuação nas Redes Sociais e Renda
Breno Faria possui mais de 2 milhões de seguidores em suas redes sociais, onde compartilha vídeos e oferece cursos voltados para o público feminino. O Núcleo Jornalismo apurou que o influenciador fatura com publicidade, patrocínios e a venda de cursos online. A deputada Ediane Maria questiona a legalidade dessa atividade, uma vez que a legislação proíbe servidores públicos federais de exercerem atividades comerciais.
De acordo com o Núcleo Jornalismo, o policial, em entrevista, afirmou que faturou R$ 60 mil no primeiro mês em que viralizou no TikTok e é patrocinado por uma marca de café. Ele também oferece cursos, como "A mulher que ele assume", no valor de R$ 57. A empresa Vieira & Lenert Marketing Digital Ltda., da qual Faria é sócio, é responsável pela venda dos cursos. Faria também moveu ações judiciais contra a Meta, alegando prejuízos financeiros devido a restrições em suas contas no Instagram.
O Futuro da Investigação
A investigação em curso poderá resultar em sanções administrativas para Breno Faria, incluindo a possibilidade de exoneração do cargo na PRF. O caso também levanta questões importantes sobre a regulamentação da atuação de servidores públicos nas redes sociais e a necessidade de combater a disseminação de discursos misóginos.
Qual o limite entre a liberdade de expressão e a responsabilidade de um servidor público?