Igreja oferece alternativas para quem comeu carne na Sexta Santa

A Igreja Católica oferece alternativas para os fiéis que consumiram carne na Sexta-Feira Santa, dia tradicional de abstinência, em respeito à Paixão de Cristo. Segundo o Código de Direito Canônico, a abstinência pode ser substituída por atos de caridade ou outras formas de penitência. A tradição de não comer carne vermelha na Sexta-Feira Santa é uma das mais importantes para os católicos, marcando o dia em que Jesus foi crucificado.

Imagem da notícia - O GLOBO

Fonte: O GLOBO

O que fazer se consumiu carne?

Para aqueles que, por engano ou necessidade, comeram carne na Sexta-Feira Santa, a Igreja oferece alternativas. O Canon 1253 do Código de Direito Canônico permite a substituição da abstinência por obras de caridade e exercícios de piedade. A Conferência Episcopal tem a autoridade para determinar mais pormenorizadamente a observância do jejum e da abstinência, podendo substituir essas práticas por outras formas de penitência.

De acordo com o padre José Ulisses Leva, da Capela Sion, a restrição ao consumo de carne na Quarta-Feira de Cinzas e Sexta-Feira Santa é porque a carne recorda o corpo de Jesus Cristo. A tradição de jejuar, segundo a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), é uma forma de penitência que consiste na privação de alimentos, enquanto a abstinência consiste na escolha de uma alimentação simples e pobre.

Por que peixe e não carne?

O peixe é tradicionalmente consumido na Sexta-Feira Santa por ser considerado um alimento mais simples e humilde do que a carne vermelha. O padre Clésio dos Santos, da Reitoria do Carmo, explica que o sentido do jejum não está no alimento em si, mas no significado que ele carrega. Historicamente, a carne era vista como um alimento festivo, e ao abrir mão dela, o fiel faz um gesto simbólico de simplicidade e penitência em memória ao sofrimento de Jesus Cristo.

A Sexta-feira Santa, que em 2026 foi celebrada em 3 de abril, é marcada pelo jejum e abstinência. A data relembra a crucificação e morte de Jesus Cristo e faz parte dos ritos finais da Semana Santa. Diferente dos outros dias, é o único dia do ano em que a Igreja Católica não celebra missa.

Quem está dispensado da abstinência?

Exceções à regra da abstinência são feitas para pessoas com necessidades especiais, como grávidas, lactantes, idosos, doentes ou aqueles que realizam trabalho braçal. Também estão dispensados aqueles que recebem carne como doação, principalmente pessoas carentes.

O que diz o Direito Canônico?

O Direito Canônico da Igreja Católica estabelece que o jejum obrigatório na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa é indicado para fiéis entre 18 e 59 anos, enquanto a abstinência de carne às sextas-feiras da Quaresma se torna obrigatória a partir dos 14 anos.

A importância da reflexão e penitência

A Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa, é um tempo de reflexão, oração, jejum e caridade. Inspirados no exemplo de Jesus, que permaneceu 40 dias no deserto em oração e jejum, os fiéis são chamados a viver este período com maior consciência de suas escolhas e responsabilidades.

Em suma, a Igreja Católica oferece alternativas para aqueles que não puderam cumprir a abstinência de carne na Sexta-Feira Santa, incentivando a prática de atos de caridade e penitência como forma de demonstrar respeito e devoção à Paixão de Cristo. Essa flexibilidade demonstra a importância da fé e da intenção por trás das ações, buscando sempre o bem-estar espiritual dos fiéis.

Postagem Anterior Próxima Postagem