A escolha do candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a presidência tem gerado tensões e divergências entre seus aliados. Enquanto setores do Centrão defendem o nome da senadora Tereza Cristina (PP-MS), o núcleo mais próximo ao senador prefere o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). A decisão expõe um racha sobre qual perfil seria mais vantajoso para a campanha: um nome com forte apelo no empresariado e mercado financeiro, ou um aliado leal ao projeto bolsonarista.
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Fonte: G1
A preferência do Centrão por Tereza Cristina
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, tem defendido abertamente a escolha de uma mulher para compor a chapa, com o nome de Tereza Cristina ganhando força nesse cenário. Ela é vista como um nome forte entre empresários e setores do mercado financeiro, além de ter o apoio do Centrão. No entanto, sua participação em uma comitiva que tratou de tarifas nos Estados Unidos gerou descontentamento em parte da ala mais radical, com Eduardo Bolsonaro expressando irritação com o episódio. Essa divisão demonstra a dificuldade em equilibrar diferentes interesses e visões dentro da base aliada.
O 'núcleo duro' e a opção por Zema
O núcleo mais ideológico da campanha de Flávio Bolsonaro busca um vice que seja leal ao projeto e que não esteja vinculado a grupos políticos fortes. Nesse contexto, o nome de Romeu Zema surge como uma alternativa, por ser visto como uma "solução mais simples", sem carregar um bloco político como o Centrão. Zema, que deixou o governo de Minas Gerais para disputar a eleição, é avaliado como alguém mais fiel ao bolsonarismo, mas ainda precisa provar seu potencial eleitoral.
Minas Gerais como fiel da balança
A escolha do vice também passa pela análise do peso eleitoral de Minas Gerais. Em 2022, Lula venceu Bolsonaro no estado por uma margem estreita, enquanto Zema foi reeleito com uma votação expressiva. Aliados de Flávio acreditam que, se Zema tivesse transferido parte de seus votos para Bolsonaro, o resultado da eleição poderia ter sido diferente. Para fortalecer sua presença em Minas, o PL filiou Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), que pode disputar o governo estadual ou compor como vice em outra chapa.
Valdemar Costa Neto: Fator de Instabilidade?
As declarações públicas de Valdemar Costa Neto sobre a escolha do vice e outros temas têm gerado tensões internas e exposto conflitos dentro da campanha de Flávio Bolsonaro. Sua defesa por uma mulher na chapa, por exemplo, abriu uma nova frente de tensão, já que a decisão final passa pela influência de Michelle Bolsonaro, o que desagrada alguns setores da família. Alguns analistas avaliam que Valdemar representa uma lógica mais pragmática, focada em alianças e resultados imediatos, o que gera atrito com o bolsonarismo.
O Impacto Financeiro da Escolha do Vice
Além das questões políticas, a escolha do vice também envolve um elemento financeiro importante. A legislação eleitoral permite ampliar o uso de recursos destinados a candidaturas femininas, o que pode influenciar a decisão em favor de uma candidata a vice. Essa consideração pragmática adiciona uma camada extra de complexidade à escolha, revelando os bastidores da estratégia eleitoral.
Qual o futuro da chapa?
A disputa pela vaga de vice na chapa de Flávio Bolsonaro demonstra a complexidade das negociações políticas e a necessidade de equilibrar diferentes interesses e visões dentro da base aliada. A escolha final terá um impacto significativo na estratégia da campanha e no potencial de atrair diferentes segmentos do eleitorado. Ainda não há uma definição clara sobre quem será o escolhido, e os próximos capítulos dessa disputa prometem ser acompanhados de perto.