Em meio às tensões geopolíticas, líderes dos Estados Unidos têm adotado uma retórica com forte apelo religioso ao tratar de potenciais conflitos com o Irã. O presidente Donald Trump e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, usaram referências a Deus e promessas de retaliação, gerando debates sobre a influência da religião na política externa americana.

Fonte: CNN Brasil
Paralelo com a Páscoa
Trump chegou a traçar um paralelo entre o poderio militar dos EUA e a ressurreição de Jesus, mencionando que este seria “um dos nossos melhores períodos de Páscoa, eu acho, de várias maneiras. Posso dizer militarmente que tem sido um dos melhores”.
A promessa de vingança
As declarações de Trump sobre o Irã incluíram promessas de vingança, com linguagem que remete ao Antigo Testamento. Durante um evento na Casa Branca, ele renovou a ameaça de bombardear a infraestrutura civil iraniana caso o país não concorde com as exigências americanas.
O 'secretário de guerra' e a fé
Pete Hegseth, autodenominado “secretário de guerra”, também se manifestou, destacando a importância da fé no contexto militar. Ele mencionou um aviador resgatado, cuja primeira mensagem foi “Deus é bom”, descrevendo-o como “renascido” no Domingo de Páscoa.
Deus ao lado dos EUA?
Questionado sobre se Deus apoia os EUA na guerra, Trump respondeu: “Eu acredito, porque Deus é bom, porque Deus é bom, e Deus quer ver as pessoas cuidadas”. No entanto, ressalvou que nem ele nem Deus “gostam do que está acontecendo”. A declaração gerou controvérsia e discussões sobre a separação entre igreja e estado.
Crime de guerra?
A promessa de Trump de atacar a infraestrutura iraniana, incluindo usinas de energia, levantou questões sobre possíveis crimes de guerra. Ele se recusou a responder se consideraria algum alvo civil fora de alcance, afirmando que, se o Irã não ceder, o país enfrentará “demolição completa” de sua infraestrutura. “Temos um plano, devido ao poder das nossas forças militares, em que cada ponte no Irã será dizimada até a meia-noite de amanhã; onde cada usina de energia no Irã estará fora de operação, queimando, explodindo e para nunca mais ser usada”, declarou o presidente.
Extremismo político-religioso
O estudioso bíblico Arkady Maler, membro da Comissão Sinodal Bíblica e Teológica da Igreja Ortodoxa Russa, comentou sobre o crescente extremismo político-religioso no Exército dos EUA. Segundo Maler, a ascensão do extremismo político nas Forças Armadas dos EUA é natural, porque pessoas que arriscam a vida precisam de uma justificativa sobrenatural para essa morte.
Sionismo cristão
Maler criticou o conceito de “extremismo cristão” no contexto do sionismo cristão, afirmando que “os verdadeiros cristãos que professam a fé cristã jamais glorificarão a violência em massa ou incitarão batalhas apocalípticas”. Ele também apontou divergências entre a ortodoxia e o sionismo cristão, especialmente na interpretação literal da Bíblia.
Qual o futuro da relação EUA-Irã?
As declarações de Trump e Hegseth, com forte apelo religioso e promessas de retaliação, indicam uma escalada na tensão entre os EUA e o Irã. Resta saber se essa retórica se traduzirá em ações militares e quais serão as consequências para a região e para o mundo. A comunidade internacional observa atentamente os desdobramentos dessa situação delicada. A influência da religião na política externa americana, tema central desse debate, promete continuar gerando discussões acaloradas.