O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (17) o restabelecimento da prisão preventiva de Monique Medeiros, acusada de envolvimento na morte de seu filho, Henry Borel, em 2021. A decisão reverte a soltura de Monique, que havia sido concedida em março devido ao adiamento do julgamento do caso.
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Fonte: G1
Fundamentos da Decisão
Mendes justificou sua decisão argumentando que a soltura de Monique, ocorrida em 23 de março, contrariou o entendimento anterior da Segunda Turma do STF. Essa decisão original visava garantir a ordem pública e a integridade do processo, considerando a gravidade do crime e o histórico de coação de testemunhas. O ministro enfatizou o risco que a liberdade de Monique representava, especialmente com a proximidade de novas oitivas de testemunhas cruciais.
"A gravidade concreta do delito e o histórico de coação de testemunhas justificam a manutenção da medida extrema para resguardo da ordem pública e conveniência da instrução. A soltura da ré às vésperas da oitiva de testemunhas sensíveis em plenário representa risco à busca da verdade processual", afirmou Gilmar Mendes.
O Adiamento do Julgamento
O julgamento do caso Henry Borel foi adiado após a defesa de Jairinho, o padrasto de Henry e também réu no processo, abandonar o plenário. Essa ação levou à suspensão da sessão e à subsequente soltura de Monique Medeiros pela juíza Elizabeth Machado Louro, que considerou a manutenção da prisão como um possível excesso de prazo.
Gilmar Mendes, no entanto, contestou a tese de excesso de prazo, argumentando que o adiamento foi uma manobra da defesa de Jairinho. Ele ressaltou que os fundamentos para a prisão preventiva permanecem válidos e foram agravados por novos fatos, indicando um claro descumprimento das decisões do STF. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou a favor do restabelecimento da prisão.
Relembre o Caso Henry Borel
Henry Borel Medeiros faleceu em 8 de março de 2021, no Rio de Janeiro. A causa da morte, segundo as perícias, foi hemorragia interna e laceração hepática. Monique Medeiros e Dr. Jairinho alegaram que o menino havia caído da cama, mas os peritos descartaram essa hipótese. O Ministério Público sustenta que Henry foi vítima de agressões.
As investigações da Polícia Civil apontaram que Henry era submetido a torturas por Jairinho, com o conhecimento de Monique. Ambos foram presos em abril de 2021 e denunciados pelo Ministério Público. Jairinho responde por homicídio qualificado, e Monique, por homicídio por omissão de socorro. A denúncia do MPRJ detalha que Jairinho causou as lesões que levaram à morte de Henry, enquanto Monique se omitiu em proteger o filho.
Próximos Passos
Com a decisão do STF, Monique Medeiros deverá retornar à prisão. O novo julgamento do caso está marcado para 22 de junho. A defesa de Jairinho alegou não ter tido acesso a todas as provas do caso, o que motivou o pedido de adiamento e o subsequente abandono do júri. A juíza Elizabeth Machado Louro classificou a conduta dos advogados como um ato atentatório contra a dignidade da Justiça, condenando-os ao ressarcimento dos prejuízos causados pelo adiamento.
Desdobramentos
O restabelecimento da prisão preventiva de Monique Medeiros reacende o debate sobre a complexidade do caso Henry Borel e a busca por justiça. A decisão do STF reforça a necessidade de garantir a ordem pública e a integridade do processo, enquanto o julgamento se aproxima. Resta acompanhar os próximos desdobramentos e aguardar o veredicto final da Justiça.
Como a revogação da prisão preventiva impactará o andamento do caso? Quais medidas serão tomadas para garantir a segurança de Monique Medeiros durante o período de prisão?