O Conselho Fiscal (CF) do Corinthians aprovou o balanço financeiro de 2025, recomendando sua aprovação, apesar de apontar um déficit de R$ 143,4 milhões. A decisão foi tomada após reuniões nos dias 22 e 23 de abril no Parque São Jorge, com o parecer destacando fragilidades na gestão administrativa e contábil do clube. A votação final pelo Conselho Deliberativo está agendada para a próxima segunda-feira.

Fonte: ge
Justificativa para a aprovação
A aprovação, seguindo o parecer do Conselho de Orientação (Cori), considerou o cenário atípico enfrentado pelo clube em 2025. O documento enfatiza que a situação administrativa e financeira não se originou apenas em 2025, mas acumulou-se de exercícios anteriores. A crise administrativa e financeira, agravada pela instabilidade política que culminou no impeachment do presidente em maio, também influenciou a decisão.
Participação de Haroldo Dantas e ressalvas
Haroldo José Dantas da Silva, afastado da presidência do Conselho Fiscal, participou das discussões e assinou a ata da reunião, mesmo tendo se abstido da votação. Entre as ressalvas apontadas, destacam-se a ausência de divulgação mensal das demonstrações financeiras e a necessidade de reestruturação na gestão do clube.
Problemas graves identificados
O relatório do Conselho Fiscal também aponta a falta de controles financeiros, a ausência de procedimentos documentados e o uso de dinheiro em espécie para pagamentos, corroborando observações da auditoria independente realizada pela Parker Russell.
Acordo tributário com a PGFN
Um dos pontos críticos levantados pela auditoria diz respeito ao acordo de transação tributária firmado com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). O Corinthians obteve um desconto de 46,6% sobre uma dívida de R$ 1,2 bilhão, reduzindo o valor para R$ 679 milhões. No entanto, a assinatura oficial do acordo ocorreu apenas em fevereiro de 2026, o que, segundo o relatório, compromete a precisão dos números apresentados em 31 de dezembro de 2025, indicando possível subavaliação da dívida e superavaliação do patrimônio líquido. A diretoria defende que o acordo já estava acertado no fim do ano passado, sendo formalizado apenas no início de 2026 por questões operacionais.
Dívida e cenário financeiro
Apesar das inconsistências, o CF aprovou as contas por unanimidade, ressaltando que os problemas financeiros são resultado de gestões anteriores e que 2025 foi marcado por instabilidade política, incluindo o impeachment presidencial e novas eleições. Os números analisados contemplam cinco meses da gestão de Augusto Melo e sete meses sob o comando de Osmar Stabile. Ao fim de dezembro, a dívida bruta do Corinthians estava avaliada em R$ 2,723 bilhões.
Próximos passos
Com a aprovação pelo Conselho Fiscal, o balanço de 2025 segue para votação no Conselho Deliberativo. A expectativa é que o tema gere debates acalorados, dada a situação financeira delicada e as ressalvas apontadas no parecer. Resta saber se o Conselho Deliberativo seguirá a recomendação do Conselho Fiscal e aprovará as contas, ou se buscará mais esclarecimentos sobre as inconsistências apontadas.